Quatro dias após o ataque que resultou em quatro mortes na fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, o Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou inquérito para investigar as condições do ambiente de trabalho na unidade. A apuração busca verificar se a empresa e a prestadora de serviços TPC Logística Sudeste S/A cumpriam as normas de saúde e segurança ocupacional.
Entre os pontos analisados estão a gestão de riscos psicossociais e as medidas adotadas para prevenir conflitos e preservar a saúde mental dos trabalhadores. A investigação também vai checar a existência de programas de gerenciamento de riscos, planos de prevenção, treinamentos, canais de denúncia e políticas de combate ao assédio, conforme informou o órgão.
A procuradora responsável pelo procedimento destacou que a apuração pretende verificar se as exigências legais estavam sendo cumpridas, especialmente após a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a prever a identificação e a prevenção de riscos psicossociais no trabalho. A atualização da norma é considerada um marco na legislação trabalhista brasileira.
O ataque ocorreu na manhã do último sábado (1º/8), dentro da fábrica da Bombril, localizada na Via Anchieta. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o operador de empilhadeira Claudio Henrique da Silva, de 33 anos, terceirizado da TPC Logística Sudeste, levou dois canivetes para o local e atacou três colegas, que morreram em decorrência dos ferimentos. Todos os envolvidos trabalhavam para a empresa prestadora de serviços.
As investigações preliminares indicam que uma das vítimas foi morta ao tentar impedir as agressões e defender os outros dois trabalhadores. A Polícia Civil apura se desentendimentos e episódios de bullying no ambiente de trabalho podem ter motivado o ataque, embora a motivação ainda não tenha sido oficialmente esclarecida.
O autor do ataque, que estava de folga, foi até a fábrica especificamente para executar o crime, segundo testemunhas ouvidas pela polícia. Relatos iniciais sugerem que o operador sofria bullying praticado por duas das vítimas, mas a polícia ainda não confirmou quem seriam os responsáveis pelas alegadas intimidações.
A Bombril e a TPC Logística Sudeste deverão apresentar ao MPT documentos relacionados ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), planos de prevenção, treinamentos, canais de denúncia, políticas de combate ao assédio e informações sobre eventuais conflitos envolvendo funcionários. As empresas têm prazo para responder às solicitações do órgão.
O caso gerou comoção na região do ABC Paulista e reacendeu o debate sobre a saúde mental e a segurança no ambiente de trabalho. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam a importância de as empresas adotarem medidas preventivas para identificar e lidar com situações de estresse, assédio e conflitos interpessoais antes que se agravem.
A Polícia Civil continua as investigações para esclarecer todos os detalhes do ocorrido e ouvir novas testemunhas. O inquérito do MPT, por sua vez, corre em paralelo e pode resultar em recomendações ou ações judiciais caso sejam constatadas irregularidades nas condições de trabalho.
Em nota, a Bombril lamentou o ocorrido e afirmou que colabora com as autoridades. A TPC Logística Sudeste também se manifestou, prestando solidariedade às famílias das vítimas e colocando-se à disposição para esclarecimentos. As empresas não detalharam, porém, as medidas que vêm adotando desde o episódio.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/apos-ataque-na-bombril-mpt-abre-inquerito-sobre-ambiente-de-trabalho

