O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a criticar a greve dos ferroviários das linhas 11, 12 e 13 da CPTM e, durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (5/8), citou uma declaração do atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), proferida em 2012, quando Alckmin era governador do estado.
Na ocasião, Alckmin havia se referido a grevistas como um “grupelho radical” que comandava o sindicato e impunha sofrimento à população. Tarcísio resgatou a fala para argumentar que a paralisação atual não é fato novo e que ocorre de forma recorrente em períodos eleitorais.
“Eu tenho que recuperar, e isso não é novo na cidade de São Paulo, palavras do ex-governador Geraldo Alckmin, que disse, certa vez, que um grupelho radical comandava o sindicato e impunha sofrimento à população, e que, coincidentemente, essas coisas sempre aconteciam em ano de eleição. Então, não é uma novidade. Isso é tático, prático e recorrente. E isso é injustificável”, afirmou o governador.
A greve teve início na manhã de terça-feira (4/8) e é motivada pela privatização do transporte ferroviário paulista. Os trabalhadores reivindicam a volta da administração das linhas pela CPTM e a garantia de empregos, enquanto o governo defende a continuidade da concessão à iniciativa privada.
A empresa Trivia Trens assumiu a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade em 21 de julho. Nos primeiros dias de operação, foram registradas diversas falhas e um incêndio, o que intensificou as críticas à privatização.
Tarcísio garantiu que nenhum ferroviário será demitido e que foi aberto um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para quem tiver interesse em deixar o cargo. Segundo o governador, funcionários das linhas paralisadas já foram realocados para a Artesp, para o metrô e para outras linhas do transporte ferroviário.
A paralisação causou impacto imediato no sistema de transporte da capital. Estações das linhas 1-Azul e 3-Vermelha do Metrô registraram maior movimento e trens mais lotados que o normal, com filas nas catracas durante a manhã de terça-feira.
O Sindicato dos Ferroviários convocou nova reunião para às 17h desta quarta-feira (5/8) para discutir os rumos do movimento. Caso a greve não seja encerrada, Tarcísio afirmou que recorrerá à Justiça para declarar a ilegalidade da paralisação.
O governador também insinuou que a greve teria motivação política, em razão do calendário eleitoral. Ele classificou os pedidos dos trabalhadores como “irrazoáveis” e disse que não pretende ceder.
A reportagem do Metrópoles tenta contato com a CPTM e com o Sindicato dos Ferroviários para comentar as declarações do governador. O espaço segue aberto para manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/grupelho-radical-tarcisio-cita-alckmin-em-critica-a-greve-na-cptm

