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São Paulo

Mobilidade desigual: 37% dos paulistanos de baixa renda levam mais de 1h para chegar ao trabalho

Pesquisa da Rede Nossa São Paulo aponta que 37% dos trabalhadores de baixa renda da capital demoram mais de uma hora no trajeto até o emprego, ocupando a 34ª posição entre 39 municípios da Grande SP.

Trajeto até trabalho supera 1h para 37% dos paulistanos de baixa rendaFoto: Reprodução/Redes Sociais
Raphael Nogueira Felix
6 de agosto de 202612:06
Atualizado agora há pouco às 15:06

Um levantamento inédito divulgado pela Rede Nossa São Paulo e pelo Instituto Cidades Sustentáveis revela um retrato preocupante da mobilidade urbana na região metropolitana. O estudo mostra que 37% dos moradores da capital paulista com renda per capita inferior a meio salário mínimo gastam mais de 60 minutos no deslocamento diário até o trabalho.

Os dados fazem parte do Mapa da Desigualdade da Região Metropolitana de São Paulo, que reúne 40 indicadores dos 39 municípios da Grande São Paulo, organizados em nove temas: pobreza, trabalho e renda, saúde, educação, cultura, segurança pública, meio ambiente, infraestrutura, transporte e mobilidade e habitação.

O levantamento aponta que, entre as 39 cidades analisadas, a capital ocupa a 34ª posição no ranking de tempo de deslocamento para a população de baixa renda. Isso significa que, proporcionalmente, os trabalhadores mais pobres da cidade de São Paulo enfrentam jornadas mais longas do que a maioria dos moradores de outros municípios da região.

Na comparação entre as cidades, Francisco Morato apresenta o pior cenário: 52% da população de baixa renda demora mais de uma hora no trajeto. Em seguida, aparecem Ferraz de Vasconcelos, com 42%, e Embu das Artes, com 39%. Na outra ponta, Guararema tem apenas 4% dos trabalhadores de baixa renda nessa situação.

O estudo também destaca a desigualdade na qualidade de vida entre os municípios. São Caetano do Sul, no ABC Paulista, lidera o ranking com 29 pontos (de um máximo de 39), seguido por Santana de Parnaíba (27,6), Ribeirão Pires (27,3), Vargem Grande Paulista (25,7) e Poá (25,6).

São Caetano do Sul também se destaca pela longevidade: a idade média ao morrer é de 76 anos, a maior da região. Junto com Santo André (71 anos), são as únicas cidades onde o indicador supera os 70 anos. A cidade ainda registra percentual zero de moradores em favelas.

Os números reforçam o desafio histórico de garantir acesso equitativo a oportunidades e serviços na maior metrópole do país. A pesquisa serve de base para que gestores públicos e a sociedade civil possam cobrar políticas mais efetivas de transporte e planejamento urbano.

Especialistas ouvidos pelo Metrópoles destacam que a combinação entre moradia distante, transporte público precário e concentração de empregos em áreas centrais aprofunda as desigualdades sociais. A redução do tempo de deslocamento é apontada como essencial para melhorar a qualidade de vida e ampliar o acesso ao mercado de trabalho.

A Rede Nossa São Paulo e o Instituto Cidades Sustentáveis pretendem atualizar os dados periodicamente, com o objetivo de monitorar a evolução dos indicadores e incentivar a adoção de políticas públicas baseadas em evidências.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/trajeto-1h-paulistanos-baixa-renda

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