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São Paulo

Crescimento de 78% nos crimes virtuais contra crianças durante as férias acende alerta em SP

Levantamento da Polícia Civil de São Paulo aponta aumento de crimes virtuais contra crianças e adolescentes no período de férias escolares, com destaque para casos de indução a lesões corporais e zoosadismo.

Foto colorida de criança mexendo no celular - Saiba como o excesso de telas afeta as habilidades motoras de crianças. Getty Images
Raphael Nogueira Felix
11 de agosto de 202602:19
Atualizado agora há pouco às 05:19

As férias escolares se tornaram um período de atenção redobrada para a segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital. Dados do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo, indicam que os crimes virtuais contra esse público cresceram 78% entre 15 de junho e 15 de julho deste ano, na comparação com o mesmo intervalo de 2025. O número de casos saltou de 89 para 158.

O levantamento considera apenas as ocorrências registradas e monitoradas pelo Noad, que atua no combate a delitos praticados pela internet. Entre os crimes identificados estão a indução à lesões corporais, a indução ao óbito e o zoosadismo, prática que consiste em transmitir ou compartilhar violência contra animais. O zoosadismo, inclusive, triplicou no mesmo período, segundo a corporação.

De acordo com a delegada Lisandréa Salvariego, coordenadora do Noad, a maioria das vítimas é composta por meninas com idades entre 6 e 15 anos. Um aspecto que chama a atenção dos investigadores é que, em muitos casos, os próprios autores desses crimes também são adolescentes. A delegada alerta que muitos desses jovens são vistos como “tranquilos” pelas famílias, o que dificulta a percepção do problema.

“A grande maioria são meninos considerados tranquilos, que não costumam dar trabalho para a família. Justamente por isso, o isolamento social e a mudança de comportamento são sinais que não podem ser ignorados”, afirmou Lisandréa em entrevista à reportagem.

As investigações do Noad apontam que os adolescentes podem ser expostos gradualmente a conteúdos cada vez mais violentos por meio dos algoritmos das plataformas digitais. O processo começa, muitas vezes, com materiais aparentemente inofensivos e, à medida que o usuário demonstra interesse, as recomendações passam a incluir conteúdos extremistas, com incentivo ao conteúdo extremista e à violência.

A misoginia é apontada pela polícia como um dos principais indicadores de alerta. “O adolescente vai sendo dessensibilizado e passa a consumir conteúdos cada vez mais violentos. Por isso, é fundamental que os pais se interessem pelo que os filhos assistem e conversem sobre esses temas sem julgamentos”, disse a delegada.

Diante do cenário, a Polícia Civil orienta que pais e responsáveis adotem medidas preventivas, como o uso de ferramentas de controle parental, o respeito à classificação indicativa das plataformas e o diálogo frequente sobre o ambiente digital. Observar mudanças de comportamento também é essencial para identificar possíveis sinais de alerta.

Em caso de suspeita de crime virtual envolvendo crianças ou adolescentes, a orientação é registrar denúncia pelos canais oficiais, como o e-mail do Noad (nucleo.noad@sp.gov.br) ou outros mecanismos disponibilizados pela polícia. As equipes especializadas podem então iniciar as investigações e adotar as medidas cabíveis.

A reportagem procurou a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo para comentar as ações de prevenção, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/crimes-virtuais-criancas-ferias

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