O Tribunal do Júri de São Paulo realiza nesta terça-feira (11/8) o julgamento de dois ex-policiais militares acusados de matar um adolescente de 15 anos. A sessão está marcada para começar às 9h no Plenário 6 da 1ª Vara do Júri da Capital.
A vítima, Guilherme Silva Guedes, foi morta com um tiro na cabeça em 2020, em Diadema, na região metropolitana de São Paulo. Segundo a acusação, o jovem teria sido torturado antes de ser executado.
Adriano Fernandes de Campos e Gilberto Eric Rodrigues respondem pelo crime. O processo, que inicialmente tramitava em ações separadas para cada um dos réus, foi unificado após a prisão de Gilberto, que estava foragido. Adriano, por sua vez, responde em liberdade, após ter sido absolvido em um júri realizado em 2021.
A absolvição de Adriano, no entanto, foi anulada em 2022 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que aceitou recurso do Ministério Público estadual. A corte entendeu que os jurados votaram contra as provas dos autos, o que motivou a realização de um novo julgamento.
Gilberto Eric Rodrigues já possui uma condenação de 125 anos de prisão por sua participação em uma chacina que resultou na morte de sete pessoas em 2013. Na ocasião, ele e outros policiais do 37º Batalhão da PM invadiram um bar no bairro Campo Limpo, na zona sul da capital, e atiraram contra os frequentadores. O crime teria sido uma retaliação ao registro de um homicídio cometido por PMs.
Durante a chacina, os policiais teriam gritado que eram da polícia e, depois dos disparos, foram vistos recolhendo cápsulas de munição. Uma das vítimas foi o rapper Laércio Grimas, conhecido como DJ Lah, de 33 anos, apontado como possível autor do vídeo que flagrou o assassinato de um servente de pedreiro por cinco policiais em 2012.
As defesas dos dois réus afirmam que vão buscar a absolvição. O advogado de Gilberto, Damilton Lima de Oliveira Filho, declarou que as provas são fortes e robustas para demonstrar a inocência de seu cliente. Já a defesa de Adriano espera repetir o resultado de 2021 e comprovar que ele não cometeu o crime.
O julgamento ocorre após quatro adiamentos e é acompanhado por familiares da vítima e por entidades de defesa dos direitos humanos. A expectativa é de que o caso ajude a esclarecer as circunstâncias da morte do adolescente e a responsabilizar os envolvidos.
O caso ganhou repercussão nacional por envolver agentes do Estado em um crime violento contra um menor. A Justiça paulista tem atuado para garantir que o processo transcorra com transparência e que os fatos sejam devidamente apurados.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/juri-ex-policiais-executar-adolescente

