O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), voltou a comentar o episódio em que uma viatura da Polícia Militar teria acompanhado o carro de seu motorista após deixá-lo em casa, na zona sul da capital. Em agenda no interior paulista, o ex-ministro da Fazenda afirmou que conversou com o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico, e pediu que as câmeras de segurança sejam verificadas para esclarecer o ocorrido.
Haddad disse que o motorista, um pequeno empreendedor, se sentiu constrangido após ser perseguido por cerca de cinco quilômetros. Segundo ele, o funcionário foi abordado em frente a um hotel depois de deixá-lo em casa. O candidato afirmou que indicou ao secretário os locais por onde passou e onde ocorreu a abordagem.
O ex-ministro também contestou o boletim de ocorrência que justificava a ação policial com um roubo ocorrido mais de uma hora depois. Segundo ele, o episódio com seu motorista aconteceu por volta das 21h45, enquanto o registro citava um crime às 23h10. “A menos que haja algum programa de inteligência sobrenatural que possa antecipar um crime em uma hora e meia, não fazia sentido nenhum aquela abordagem”, completou.
Imagens de câmeras de segurança obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pelo Metrópoles mostram a chegada do candidato à residência. Na gravação, uma viatura da PM passa pela rua pouco antes de o carro de Haddad estacionar. Um veículo preto também aparece acompanhando o trajeto.
A Secretaria da Segurança Pública determinou que a Polícia Militar identifique a equipe envolvida na ocorrência. A medida foi anunciada após a divulgação das imagens e a manifestação pública do candidato. A pasta não comentou, até o momento, as declarações de Haddad sobre a divergência nos horários.
O episódio ocorreu na noite de terça-feira (11/8), quando Haddad retornava de uma aula magna na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Na ocasião, o candidato relatou que a viatura teria “jogado luz no carro” assim que ele chegava ao prédio onde mora.
Haddad já havia classificado a abordagem como “intimidadora” em pronunciamento anterior. Agora, ele reforça o pedido de investigação e afirma que as câmeras do hotel e do sistema Smart Sampa podem ajudar a esclarecer os fatos. “Não deve ser difícil apurar o que aconteceu”, disse.
O caso ganhou repercussão no cenário político paulista, com aliados do candidato cobrando transparência na apuração. Até o fechamento desta edição, a Polícia Militar não havia se manifestado oficialmente sobre as declarações de Haddad.
A perícia das imagens e a análise do boletim de ocorrência devem ser os próximos passos da investigação. A expectativa é de que a SSP apresente um posicionamento oficial nos próximos dias.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/haddad-pm-nao-fazia-sentido

