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São Paulo

Investigados na Carbono Oculto tentam apagar rastros e acabam gerando novas provas ao MP

Segundo o Gaeco, mudanças de conduta de alvos da primeira fase da operação produziram rastro documental que embasou a Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira.

MPSP deflagra operação Crédito Oculto, terceira fase da Carbono Oculto, em SP e mais 6 estadosFoto: Divulgação/MPSP
Raphael Nogueira Felix
25 de setembro de 202603:05
Atualizado agora há pouco às 06:05

As tentativas de integrantes do esquema investigado na primeira fase da Operação Carbono Oculto de ocultar indícios de irregularidades após a deflagração da ação acabaram produzindo novas provas para o Ministério Público de São Paulo. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), as mudanças de conduta adotadas pelos alvos tiveram efeito contrário ao esperado e criaram um rastro documental que embasou um novo desdobramento da apuração.

As novas evidências levaram à Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24/9) como terceira fase da investigação. A ação foi autorizada pela 2ª Vara Criminal de Catanduva e inclui buscas contra 27 alvos em sete estados, além do congelamento de fundos diante do risco de ocultação patrimonial.

Segundo o Gaeco, tanto gerentes e operadores do esquema quanto executivos do núcleo financeiro e gestores de fundos de investimento alteraram rotinas e parcerias financeiras na tentativa de se distanciar das apurações. Essas movimentações, no entanto, deixaram registros que reforçaram as suspeitas de irregularidade.

Um dos episódios citados na investigação envolve o banco Genial, que renunciou à administração do fundo de investimentos Radford logo após as primeiras apurações. O fundo era usado exclusivamente pela Usina Itajobi, do interior paulista, em operações que teriam levado à aquisição da Terrana, uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.

A instituição financeira também liquidou os Certificados de Depósito Bancário Vinculados (CDBVs) e cedeu os créditos das Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), no valor de R$ 160 milhões, diretamente ao próprio Fundo Radford. Executivos do banco ainda teriam apagado conversas de WhatsApp por receio de fiscalizações da Secretaria da Fazenda (Sefaz) sobre pagamentos recebidos da Aster Petróleo, distribuidora alvo da primeira fase da operação.

Outro ponto destacado pelo Gaeco é um plano de emergência montado para desvincular a Terrana do grupo investigado. Conforme a apuração, Paulo Narcélio Simões do Amaral e Gunar Marcondes da Silva, apontados respectivamente como testa-de-ferro e contador e gestor contábil de Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e de Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, teriam previsto mudança urgente de endereço, demissão de colaboradores da empresa de fachada 7Seven, contratação de servidor de tecnologia da informação separado e alteração de telefones.

A investigação também menciona o caso de Ioná Patrícia Andrade, ex-funcionária da Aster, que se desligou da empresa dois dias após a deflagração da primeira fase da Carbono Oculto, depois de ter o nome veiculado em reportagens sobre a Terrana. Mesmo desligada, ela teria adotado o nome falso de Camila Junqueira em aplicativos de mensagem.

O Ministério Público afirma que as medidas adotadas pelos investigados forneceram provas consideradas cabais das irregularidades. O Gaeco sustenta que a tentativa de ocultação patrimonial e de distanciamento das empresas envolvidas acabou por documentar as próprias operações que são objeto da apuração.

A Operação Crédito Oculto é um desdobramento da Carbono Oculto e foi deflagrada em 24 de setembro, com buscas em São Paulo e em outros seis estados. A investigação segue sob sigilo, e os citados não tiveram suas manifestações detalhadas no material divulgado até o momento.

As apurações envolvem suspeitas de irregularidades em operações financeiras ligadas à aquisição da Terrana e ao uso de fundos de investimento. O caso continua em tramitação na 2ª Vara Criminal de Catanduva, responsável pelas medidas cautelares.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/ocultacao-carbono-oculto-provas

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