A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) começou a demolir os primeiros imóveis no terreno onde será erguida a nova sede administrativa do governo paulista, na região central de São Paulo, próxima ao Parque Princesa Isabel. Na quarta-feira (12/8), três edifícios localizados na Rua Helvétia e na Alameda Barão de Piracicaba tiveram teto e paredes derrubados. Os trabalhos continuaram na quinta-feira (13/8), conforme vídeo enviado ao Metrópoles.
As demolições foram executadas pela empresa Habitem, contratada pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) para essa etapa. A ação ocorreu antes de o governo estadual assinar o contrato com o consórcio MEZ-RZK, que ficará responsável pela construção da futura sede no bairro. O contrato com a concessionária, porém, prevê que ela realize as demolições na região.
O Metrópoles questionou a gestão Tarcísio sobre o motivo de a Habitem ter sido designada para a tarefa em vez da MEZ-RZK, mas não obteve resposta. Em nota, a CDHU limitou-se a afirmar que os edifícios alvo das demolições já estavam desapropriados e com imissão na posse em favor do Estado.
Segundo a administração estadual, os imóveis foram lacrados em 2024, após uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) na região. Na ocasião, a investigação apontou que os locais eram utilizados pelo crime organizado. A CDHU informou que os serviços são realizados de forma programada, seguindo procedimentos técnicos e de segurança necessários.
A reportagem apurou que há uma lista da CDHU com 67 imóveis a serem demolidos pela Habitem, todos nos quarteirões onde ficarão os prédios da nova sede administrativa. Funcionários da empresa e da estatal paulista têm procurado moradores da região para fazer vistorias cautelares nas residências.
O objetivo das vistorias é registrar o estado atual das casas para indenizar os moradores caso algum dano seja causado durante os trabalhos de demolição na vizinhança. Subsíndico do Edifício Henrique, na Avenida Rio Branco, o professor Odair Paulo Tognon conta que o prédio foi um dos procurados para a realização da vistoria pré-demolições. Ele critica a falta de informações sobre os próximos passos da obra.
A nova sede do governo paulista faz parte de um projeto de revitalização do centro da capital. A desapropriação de centenas de imóveis na região já foi anunciada, e a venda de prédios públicos deve começar antes do início das obras. A medida integra um pacote de ações para transferir órgãos estaduais para a área central, reduzindo custos e estimulando a ocupação da região.
A demolição dos imóveis ocorre em meio a um processo de transição, já que a concessionária MEZ-RZK ainda não assinou o contrato definitivo. A expectativa é que, após a assinatura, a empresa assuma integralmente as obras de construção da nova sede, incluindo as demolições remanescentes. Enquanto isso, a CDHU segue com o cronograma de derrubadas nos quarteirões delimitados.
Moradores e comerciantes da região acompanham com apreensão os trabalhos. Alguns relatam falta de comunicação clara sobre prazos e indenizações. A CDHU afirma que as vistorias cautelares são parte do processo para garantir segurança e transparência, mas a população local cobra mais informações sobre o andamento das obras e os impactos na rotina do bairro.
A nova sede administrativa do governo de São Paulo é considerada estratégica para a gestão estadual. O projeto prevê a concentração de secretarias e órgãos públicos em um único complexo, o que deve gerar economia e modernizar a administração. As obras, no entanto, dependem de contratos e licenças que ainda estão em fase de finalização.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/gestao-tarcisio-inicia-demolicoes-em-local-da-futura-sede-do-governo

