Representantes de clubes paulistas das séries A e B do Campeonato Brasileiro participaram, na manhã desta segunda-feira (28/9), de uma reunião na Federação Paulista de Futebol (FPF) para discutir os efeitos do encerramento das apostas de quota fixa no país. O encontro, realizado de forma híbrida, contou também com a presença do Juventus, da Mooca, recém-promovido à série A1 do Paulistão.
Segundo a federação, o objetivo foi alinhar posições e avaliar o impacto financeiro da medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das bets em todo o território nacional. Em nota, a entidade afirmou que «FPF e Clubes seguirão discutindo o tema e definiram que seguirão atuando sempre de forma coletiva, visando o melhor para o futebol».
Nenhum dirigente principal compareceu ao encontro. Os times enviaram representantes dos departamentos jurídico e de marketing, áreas diretamente afetadas pela interrupção dos contratos publicitários. A avaliação é de que o setor de publicidade foi o mais impactado pela decisão do governo federal.
Dos seis clubes paulistas que disputam a série A do Brasileirão, quatro mantêm patrocínio master de casas de apostas. Na série B, as agremiações do estado chegaram a ter contratos semelhantes em período recente, mas alteraram o modelo de negócios nos últimos meses.
Entre os exemplos citados estão o Botafogo-SP, que teve patrocínio master da Hanzbet por seis meses no ano passado, até a empresa encerrar as atividades; o Novorizontino, que teve acordo recente com a Pagol.bet, substituído atualmente; a Ponte Preta, que contou com a GingaBet no último biênio; e o São Bernardo, patrocinado pelo banco digital Magnum Bank.
O Juventus da Mooca, na zona leste de São Paulo, fechou parcerias pontuais com casas de apostas e era beneficiário do acordo firmado com a Rivallo no Paulistão. Todas as 46 equipes beneficiadas por esse modelo de financiamento devem ter o vínculo rompido após a medida provisória.
A proibição foi determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio da Medida Provisória nº 1.394, assinada na última sexta-feira (25/9). O texto tem força de lei e passou a valer imediatamente, mas ainda precisa do aval do Congresso Nacional para se tornar definitivo. As duas casas legislativas têm até 120 dias para aprovar a medida; caso contrário, a determinação perde validade.
A MP estabeleceu que os sites de apostas on-line permanecem disponíveis até as 23h59 da próxima segunda-feira (5/10) para que os apostadores resgatem o saldo disponível. Esse também é o prazo final para a retirada de todas as publicidades referentes às bets.
A norma alcança tanto meios físicos quanto virtuais e atinge a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa em todo o país. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão da medida provisória.
Os clubes paulistas devem levar ao Palácio do Planalto propostas para atenuar os prejuízos decorrentes da interrupção dos patrocínios. Ainda não há data definida para a reunião com o governo federal.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/times-sp-articulam-bets-planalto

