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Vinhedo

Justiça autoriza envio de investigação sobre queda de avião da Voepass para apurar atuação da Anac

A Justiça Federal liberou o compartilhamento de parte do inquérito sobre o acidente com o voo da Voepass em Vinhedo para que o MPF investigue possível improbidade administrativa na Anac.

Avião da Voepass em chamas, depois da quedaFoto: Reprodução
Raphael Nogueira Felix
19 de agosto de 202608:20
Atualizado agora há pouco às 11:20

A Justiça Federal autorizou o encaminhamento de parte do inquérito sobre a queda do avião da Voepass ao Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal. O objetivo é apurar se houve improbidade administrativa da Agência Nacional de Aviação Civil na fiscalização da companhia aérea.

A decisão foi comunicada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que destacou que os autos tramitam sob sigilo. A liberação parcial atendeu a pedido do delegado da Polícia Federal responsável pelas investigações, que poderá divulgar diretamente o conteúdo autorizado.

O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando a aeronave que saiu de Cascavel com destino a Guarulhos caiu em um condomínio em Vinhedo, no interior paulista. As 62 pessoas que estavam a bordo morreram na ocorrência.

No início deste mês, a Polícia Federal concluiu as investigações criminais e apontou que a queda foi provocada por acúmulo de gelo nas asas e por falhas operacionais da tripulação. O relatório também indicou que a Anac já havia identificado irregularidades na aeronave antes do acidente.

Com base nesse cenário, a PF encaminhou as informações ao MPF para verificar se integrantes da agência reguladora cometeram atos de improbidade administrativa. Uma cópia do documento também foi enviada à Corregedoria Regional da PF em São Paulo para avaliar possível prevaricação ou corrupção.

Investigações anteriores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos já apontavam deficiências na fiscalização da Anac. A empresa apresentava problemas no controle de manutenção, na comunicação de falhas e na supervisão técnica das aeronaves, conforme inspeções realizadas entre janeiro de 2022 e agosto de 2024.

Apesar das irregularidades identificadas, a Voepass continuou operando. A Polícia Federal indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da companhia pelo crime de atentado contra a segurança de transporte aéreo.

A reportagem procurou a Anac para comentar o assunto, mas não obteve resposta até a publicação. O espaço segue aberto para manifestações.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/voepass-justica-investigar-anac

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