A capital paulista registrou um recorde de mortes de motociclistas no trânsito entre janeiro e julho deste ano. Segundo o Infosiga, sistema do Governo de São Paulo, foram 286 óbitos no período, o maior número para os sete primeiros meses do ano desde o início da série histórica, em 2015. O total representa quase metade (49,7%) de todas as fatalidades em acidentes de trânsito na cidade.
Os dados indicam que a participação dos motociclistas no total de mortos cresceu de forma mais acelerada do que a proporção de motos na frota paulistana. Entre 2015 e 2025, a participação das motos na frota aumentou 18,7%, enquanto a participação dos motociclistas entre os mortos saltou 43% no mesmo comparativo.
Em 2015, as motos representavam 11,4% da frota, com cerca de 867 mil veículos. No ano passado, já eram mais de 1,35 milhão de motocicletas, o equivalente a 13,5% do total. Apesar do crescimento da frota, o aumento da letalidade chama a atenção de especialistas.
O perfil das vítimas também foi traçado: 89% das mortes eram homens e 48% tinham entre 18 e 29 anos. Em 90% dos casos, a vítima conduzia a motocicleta. Entre os mortos, 38% tiveram a ocupação registrada, e, desse grupo, 29% eram motoboys ou entregadores.
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), afirma que desenvolve ações contínuas para ampliar a segurança no trânsito. Entre as iniciativas citadas está a Faixa Azul, que hoje conta com 233,3 quilômetros em 46 vias e beneficia cerca de 500 mil motociclistas diariamente.
Outra medida destacada é a instalação de Frentes Seguras em mais de mil semáforos da cidade, com o objetivo de reduzir acidentes e proteger os motociclistas nos cruzamentos.
O crescimento do serviço de delivery por aplicativos é apontado como um fator que pode incentivar comportamentos de risco entre os motociclistas. A pressão por entregas rápidas e a necessidade de cumprir prazos acabam levando muitos profissionais a desrespeitar limites de velocidade e a realizar manobras perigosas.
Os números acendem um alerta para as autoridades e para a sociedade. A redução das mortes no trânsito depende de investimentos em infraestrutura, fiscalização e campanhas educativas, além de políticas que protejam os trabalhadores de aplicativos.
A série histórica do Infosiga, iniciada em 2015, permite acompanhar a evolução dos acidentes fatais na capital. O recorde deste ano, mesmo com a pandemia e as mudanças na mobilidade urbana, reforça a necessidade de ações urgentes para reverter a tendência.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/recorde-fatal-motociclistas-ja-sao-50-dos-mortos-no-transito-de-sp

