Um homem foi condenado a 35 anos e 6 meses de prisão por tentativa de feminicídio contra a companheira. O julgamento ocorreu nesta terça-feira (18/9) no Tribunal do Júri de Piracicaba, interior de São Paulo. O crime aconteceu em dezembro de 2024, e a sentença foi proferida após análise das provas e dos depoimentos.
De acordo com as investigações, o agressor agiu com extrema violência. Ele arrastou a vítima pelos cabelos e a atingiu com um tijolo na cabeça. Mesmo depois que ela caiu desacordada, o homem continuou desferindo golpes de faca. Além disso, ele escondeu as chaves da casa para impedir que a mulher pudesse fugir, o que obrigou familiares e vizinhos a arrombarem a porta para resgatá-la.
A vítima sofreu ferimentos graves no crânio, na face e no dorso, além de fratura nasal e perfuração pulmonar. Ela foi submetida a uma cirurgia de emergência para drenagem torácica e permaneceu internada por quatro dias. As sequelas exigiram tratamento contínuo, e a mulher correu risco de morte durante o atendimento médico.
Na sentença, o juiz destacou que o acusado percorreu «praticamente a integralidade caminho do crime» e que a morte somente não ocorreu devido à resistência física da vítima, à intervenção de terceiros e ao pronto atendimento médico. A decisão judicial também levou em conta o histórico de violência doméstica do réu, que já havia sido condenado por agressões anteriores e descumpria medidas protetivas.
O condenado também enviou correspondências à vítima após ser preso, em uma tentativa de intimidá-la e fazê-la mudar seus depoimentos. A mulher relatou que continuava no relacionamento por medo e que ele já havia voltado à residência mesmo após ter sido detido e alvo de medida protetiva. Ela afirmou temer novas investidas caso ele fosse colocado em liberdade.
O magistrado analisou o comportamento possessivo do réu e o classificou como uma expressão típica do machismo. A condenação reforça a aplicação da Lei Maria da Penha, que completa 20 anos, e evidencia a gravidade da violência de gênero no país.
A vítima, que não teve o nome divulgado, segue em recuperação. O caso serve de alerta para a importância de denunciar agressões e de quebrar o ciclo de violência doméstica. Em Piracicaba, a Delegacia de Defesa da Mulher oferece suporte e orientação para vítimas.
A sentença de 35 anos e 6 meses de reclusão foi proferida em primeira instância, e o réu ainda pode recorrer da decisão. Enquanto isso, ele permanece preso, conforme a determinação judicial.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/homem-e-condenado-a-35-anos-por-tentar-matar-companheira-a-tijoladas

