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Taubaté

Operação desarticula grupo ligado ao PCC suspeito de mais de 40 homicídios em Taubaté

Polícia Civil prendeu dez pessoas e busca outras sete envolvidas em assassinatos no Vale do Paraíba; grupo usava perfis falsos para atrair vítimas.

Imagem colorida mostra mensagem de integrante da quadrilha chamada "X-Men do PCC" para vítimaFoto: Arte/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
21 de agosto de 202603:20
Atualizado agora há pouco às 06:20

Uma operação da Polícia Civil, deflagrada na última segunda-feira (17/8), desarticulou um grupo criminoso ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em Taubaté, no interior de São Paulo. Dez pessoas foram presas e outras sete seguem foragidas. A investigação aponta que a organização, apelidada de “X-Men do PCC”, é suspeita de participar de mais de 40 assassinatos ocorridos em 2021, durante uma disputa entre facções rivais na região do Vale do Paraíba.

De acordo com as autoridades, o grupo utilizava uma estratégia sofisticada para executar os alvos. Um dos criminosos criava perfis falsos em redes sociais, simulando ser uma mulher, para atrair as vítimas. A abordagem inicial era feita por meio de conversas virtuais, e, quando a pessoa demonstrava interesse, os criminosos passavam a mapear sua rotina e seus hábitos.

A segunda etapa do plano envolvia a clonagem de veículos. O grupo roubava carros em cidades do Vale do Paraíba e os transformava em “dublês”, ou seja, veículos com placas e características idênticas a de outros automóveis, para serem usados nos crimes sem levantar suspeitas. Um dos investigados, cuja identidade não foi revelada, era responsável por criar esses carros clonados e ainda preparar um “dossiê do crime” com informações detalhadas sobre os alvos e a logística das execuções.

A investigação também revelou a participação de uma estagiária de direito, identificada como Camila Carvalho Bonafé Alves Corrêa, apelidada de “Jean Grey”. Ela ficava encarregada de transmitir ordens dos líderes do grupo que estavam presos, recebendo cartas e repassando as instruções aos demais integrantes em liberdade. Um dos chefes da organização, Renato Capone de Souza, conhecido como Pig ou Capone, está detido desde 2024 e é apontado como um dos mentores dos ataques.

A operação, batizada de “X-Men”, contou com o apoio de outras delegacias e teve como objetivo desmantelar todo o núcleo da organização criminosa. Durante as diligências, os agentes apreenderam armas de diferentes calibres e celulares que serão analisados para aprofundar as investigações. Em uma das conversas obtidas pela polícia, um dos criminosos tentava atrair uma potencial vítima, mas o homem percebeu que se tratava de um perfil falso e não chegou a ser morto.

Os homicídios atribuídos ao grupo ocorreram em 2021, quando Taubaté registrou um aumento expressivo nos índices de criminalidade. Segundo dados oficiais, o número de assassinatos na cidade saltou de 21 para 42 casos, a maioria relacionada à guerra entre facções. A ação policial foi essencial para conter a onda de violência que assolava a região.

A Polícia Civil segue em busca dos sete foragidos e não descarta novas prisões. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e esclarecer a participação de cada um nos crimes. A população pode contribuir com informações de forma anônima pelos canais oficiais da corporação.

O caso reforça a atuação das forças de segurança no combate ao crime organizado no interior paulista. A operação demonstra o empenho das autoridades em desarticular grupos que atuam com violência extrema e em levar os responsáveis à Justiça. As investigações seguem em sigilo para não comprometer o trabalho da polícia.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/como-funcionava-a-tatica-dos-x-men-do-pcc-para-atrair-e-matar-rivais

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