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São Paulo

Sistema proporcional em SP deixa de fora oito dos candidatos mais votados para a Câmara

Apesar de votações expressivas, oito candidatos a deputado federal por São Paulo não conseguiram vaga por causa do cálculo proporcional, que privilegia o desempenho das siglas.

Plenário Câmara dos DeputadosFoto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados
Raphael Nogueira Felix
5 de outubro de 202612:47
Atualizado agora há pouco às 15:47

A eleição para a Câmara dos Deputados em São Paulo terminou com um cenário que costuma surpreender o eleitor: oito candidatos com votações entre as mais altas do estado não conseguiram assumir uma das 70 cadeiras disponíveis. O motivo é o sistema proporcional, modelo que define a distribuição das vagas pelo desempenho geral de partidos e federações, e não apenas pelo número individual de votos.

Entre os casos mais emblemáticos está a Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, que somou 2.834.542 votos no estado. Apesar da votação robusta, nomes como Rui Falcão, Paulo Teixeira, Reis e Moises Selerges, todos do PT, ficaram fora da lista dos 70 eleitos, mesmo aparecendo entre os mais votados na apuração.

Do outro lado, o Partido Liberal (PL) foi o mais beneficiado pelos cálculos. Com 6.431.217 votos e direito a 19 cadeiras, a sigla conseguiu eleger Eduardo Cury, Wesley Cezar Lelinho e Gil Diniz, ainda que eles tenham recebido menos votos do que alguns adversários. Cury, por exemplo, obteve 66.860 votos, cerca de 40 mil a menos que o petista Rui Falcão, que teve 106.471.

O funcionamento do sistema proporcional é definido pela legislação eleitoral e detalhado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao votar em um candidato, o eleitor também contribui para o desempenho eleitoral do partido ou da federação à qual ele pertence. As vagas são distribuídas conforme o total de votos recebidos pela legenda, e não apenas pela votação nominal de cada postulante.

O advogado eleitoralista Paulo Mello explicou ao Metrópoles como isso funciona na prática. «Vou dar aqui o exemplo do PSDB, que tem a sigla 45. Quando eu coloco os dígitos 4 e 5, eu estou falando: ‘Eu voto no partido PSDB’. Quando eu coloco o restante dos números do candidato, quero dizer que, dentro do PSDB, prefiro que aquele candidato seja eleito. Mas estou votando no partido», afirmou.

A distribuição das cadeiras depende de dois cálculos principais: o quociente eleitoral e o quociente partidário. O primeiro é obtido dividindo o total de votos válidos do estado pelo número de vagas em disputa. Em São Paulo, foram 23.674.188 votos válidos para 70 cadeiras na Câmara, o que resultou em um quociente eleitoral de 338.203.

Além de o partido atingir esse patamar, cada candidato precisa cumprir uma exigência individual: receber votação nominal mínima de 10% do quociente eleitoral. Nas eleições de 2026, esse piso é de 33.820 votos. A regra foi criada para evitar que candidatos com votação muito baixa sejam eleitos apenas pelo arrasto das siglas mais votadas.

O sistema proporcional é adotado nas eleições para a Câmara dos Deputados, assembleias legislativas e câmaras municipais. Ele busca garantir que a composição do Legislativo reflita a força relativa de cada partido no conjunto do eleitorado, mas provoca situações em que candidatos muito votados ficam de fora enquanto outros, com menos votos, assumem uma cadeira.

Para o eleitor, a principal consequência prática é que o voto não se resume à escolha individual. A legenda ou federação escolhida também influencia diretamente nas chances de o candidato preferido ser eleito. Em São Paulo, essa lógica ficou evidente na diferença entre a votação nominal de alguns postulantes e o resultado final da apuração.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/candidatos-boa-votacao-quociente

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