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São Paulo

Investigação aponta adulteração de dados criminais de candidato no sistema da Prodesp

Relatório da Polícia Civil confirma manipulação em registros criminais de Emerson Dias Rocha, candidato ao legislativo paulista, no sistema da Prodesp.

Candidato a deputado estadual em SP Emerson RochaFoto: Facebook/Reprodução
Raphael Nogueira Felix
22 de agosto de 202606:28
Atualizado agora há pouco às 09:28

Um relatório técnico anexado ao processo que investiga o candidato a deputado estadual Emerson Dias Rocha (Podemos) por homicídio e tentativa de homicídio revela que os dados criminais dele foram adulterados ou excluídos do sistema da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp). A informação consta em documento assinado por um especialista em informática da Polícia Civil.

Emerson foi preso preventivamente na última quinta-feira (20/8) durante a Operação Cátaros, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A ação investiga suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e também mira vereadores de Cotia, na Grande São Paulo.

Antes da prisão, o candidato à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) já acumulava extensa ficha criminal. O ofício assinado pelo especialista Breno Tadeu Rios de Almeida confirmou a ocorrência de manipulação criminosa na rede da Prodesp em, pelo menos, quatro registros, todos datados de 1999.

A Prodesp forneceu ao processo um relatório detalhado de acessos, com data, hora e nome do funcionário cuja credencial foi usada para visualizar ou alterar o prontuário de Emerson na época em que os dados sumiram. A empresa também informou que todas as informações excluídas ou adulteradas foram recuperadas, com exceção de um inquérito policial que ainda aguarda cópia do Boletim de Identificação Criminal.

A investigação aponta que Emerson Dias Rocha usava nome falso, Felipe de Souza Neves, e chegou a obter porte de arma com essa identidade. O caso também envolve a suspeita de que um investigador da Polícia Civil teria coagido testemunhas a mentir em favor do candidato.

Os crimes que motivaram a investigação ocorreram em 8 de novembro de 1998. Segundo denúncia do MPSP, as vítimas voltavam de um aniversário e estavam em um ponto de ônibus quando uma delas foi atingida pelo veículo dirigido por Emerson, que manobrava em marcha ré. A mulher reclamou e foi agredida fisicamente; o amigo interveio e os dois fugiram, mas voltaram a cruzar com o candidato, que teria disparado contra a dupla. O homem morreu e a mulher sobreviveu após receber atendimento médico.

O relatório da Prodesp é considerado peça-chave para entender como os registros criminais de Emerson foram manipulados. A empresa de processamento de dados do estado afirma que as falhas foram corrigidas e que os dados foram recuperados, mas o caso segue sob análise do MPSP.

A defesa de Emerson ainda não se manifestou sobre as acusações. O candidato permanece preso e aguarda os próximos desdobramentos da investigação, que também apura a suposta ligação com o PCC.

A operação Cátaros é mais um capítulo da investigação sobre a infiltração do crime organizado em instâncias políticas e administrativas do estado. O MPSP segue coletando provas e ouvindo testemunhas para esclarecer a extensão do esquema.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/candidato-preso-conseguia-apagar-ficha-criminal-de-sistema-da-policia

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