Uma investigação da Corregedoria da Polícia Civil resultou na prisão de dois policiais civis e de um policial militar reformado, suspeitos de extorsão contra um motorista de aplicativo. O caso ocorreu em Osasco, na Grande São Paulo, e ganhou contornos de operação controlada, com o uso de cédulas marcadas para comprovar o recebimento do valor exigido.
Segundo as apurações, a vítima procurou a sede da Corregedoria, localizada na Rua da Consolação, na capital paulista, para relatar que havia sido abordada pelos agentes. Na ocasião, eles teriam cobrado um pagamento em dinheiro, afirmando que entrariam em contato posteriormente para combinar a entrega do montante.
Diante da denúncia, os investigadores prepararam um esquema para flagrar a cobrança. As cédulas que seriam entregues foram previamente marcadas pela equipe da Corregedoria, e o motorista foi orientado a combinar com os suspeitos o local e o horário da transação.
O encontro foi marcado para o estacionamento do 10º Distrito Policial de Osasco, onde os três policiais compareceram por volta das 19h da última terça-feira (25/8). No momento em que receberam o dinheiro, foram detidos em flagrante. A ocorrência foi registrada e encaminhada à sede da Corregedoria para os procedimentos legais.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou as prisões e informou que a autoridade policial representou pela conversão das prisões em flagrante para preventivas. Também foi solicitada a quebra do sigilo de dados dos aparelhos celulares apreendidos, com o objetivo de aprofundar as investigações e esclarecer integralmente os fatos.
O policial militar reformado foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, enquanto a Corregedoria instaurou procedimento correcional para apurar a conduta funcional dos policiais civis envolvidos. A medida visa avaliar eventuais desvios de conduta e adotar as sanções administrativas cabíveis.
O caso reforça a atuação das corregedorias no combate a práticas criminosas dentro das forças de segurança. A utilização de cédulas marcadas é um mecanismo eficaz para comprovar a materialidade do crime, segundo especialistas, pois permite flagrar o momento exato da extorsão sem colocar a vítima em risco adicional.
A prisão dos agentes ocorreu em um momento em que a SSP afirma intensificar a fiscalização interna. A pasta não divulgou os nomes dos envolvidos, mas garantiu que as investigações seguirão em sigilo para não comprometer as diligências.
O motorista de aplicativo, que preferiu não se identificar, foi ouvido pelos investigadores e prestou depoimento. A vítima relatou que a abordagem ocorreu durante uma corrida, quando os policiais, supostamente em serviço, exigiram o pagamento para não tomar medidas administrativas ou legais.
A Justiça acatou o pedido de conversão das prisões em preventivas, o que significa que os três suspeitos permanecerão detidos enquanto as investigações prosseguem. Caso sejam condenados, podem responder pelo crime de extorsão qualificada, cuja pena varia de 4 a 10 anos de reclusão, além de multa.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/cedulas-marcadas-extorsao-policiais

