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São Paulo

Colombiano foragido tentou culpar irmão por conversas que o ligam ao tráfico

Yul Neyder Morales Sanchez, condenado a sete anos de prisão, segue foragido desde 2015. Defesa alega falta de provas técnicas, mas Justiça rejeitou a tese.

Quem é o fazendeiro acusado de fornecer cocaína ao PCC foragido da JustiçaFoto: Otavio Augusto/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
28 de agosto de 202602:35
Atualizado agora há pouco às 05:35

O fazendeiro colombiano Yul Neyder Morales Sanchez, foragido da Justiça brasileira desde 2015, tentou atribuir ao próprio irmão as conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) que o ligam a uma rede de tráfico internacional de drogas. A informação consta em voto da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou habeas corpus ao acusado na última segunda-feira (24/8).

Segundo a acusação, Yul mantinha uma fazenda na Bolívia onde produzia e refinava cocaína. O material seria enviado a diferentes organizações criminosas brasileiras e estrangeiras, com destino final à Europa, partindo do Porto de Santos, no litoral de São Paulo.

O fazendeiro foi condenado em novembro do ano passado a sete anos de prisão por associação para o tráfico internacional de drogas. A defesa nega as acusações e sustenta que não foram realizados exames técnicos, como perícia de voz ou cruzamento de dados biométricos, para comprovar que as mensagens interceptadas eram de Yul.

A tese da defesa, no entanto, não foi comprovada e acabou rejeitada pela Justiça. Os magistrados aplicaram o artigo 156 do Código de Processo Penal (CPP), que estabelece que cabe a quem alega o fato o ônus de prová-lo.

No voto, a ministra Cármen Lúcia reforçou a decisão do ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também negou recurso da defesa. “Ao contrário do que alega, as provas produzidas mostram sua participação no crime de associação para o tráfico transnacional de drogas de que trata este feito”, escreveu a ministra.

Yul Neyder é descrito pelo ministro Herman Benjamin como um “grande produtor e fornecedor de cocaína para narcotraficantes brasileiros e estrangeiros, movimentando expressiva quantidade da droga”. Ele administraria a fazenda junto com o pai, Cristobal Morales Velasquez, conhecido como “Papi Supremo”.

A dupla entrou na mira da PF após investigadores interceptarem comunicações entre integrantes de organizações criminosas que mencionavam os colombianos como fornecedores da droga. O caso segue em apuração, e Yul permanece foragido.

A defesa do fazendeiro afirma que não há provas técnicas que o identifiquem como autor dos crimes e que o processo é baseado apenas em interceptações telefônicas. A Justiça, porém, entendeu que as alegações não foram suficientes para derrubar a condenação.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/fazendeiro-coca-irmao-justica

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