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Justiça de SP suspende cobranças contra Casas Bahia por 180 dias

Em decisão tomada na última sexta-feira (28/8), a Justiça de São Paulo antecipou os efeitos da recuperação judicial do Grupo Casas Bahia e suspendeu, por 180 dias, as ações de cobrança e execuções contra a empresa. A varejista apresentou pedido de recuperação judicial no último dia 16, na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais. As dívidas da companhia são estimadas em R$ 17,3 bilhões.

imagem colorida de fachada de loja da Casas BahiaFoto: Divulgação
Raphael Nogueira Felix
29 de agosto de 202610:44
Atualizado há 10 dias às 15:09

Justiça de São Paulo antecipou efeitos de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia para evitar corrida de credores ao patrimônio da empresa

A decisão, assinada pela juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, busca proteger o patrimônio da empresa de uma eventual corrida de credores enquanto a companhia tenta reorganizar suas finanças em meio à crise.

Segundo o advogado Renato Scardoa, que atende empresas de cadeias de fornecedores de grandes varejistas, como a Casas Bahia, a decisão representa uma espécie de proteção temporária para a companhia enquanto a Justiça analisa o pedido de recuperação judicial.

“A Justiça de São Paulo acendeu um sinal amarelo e, ao mesmo tempo, deu um fôlego de sobrevivência para a empresa que tenta entrar em recuperação judicial. Antes mesmo de decidir se aceita ou não o pedido oficial, o juiz garantiu uma espécie de proteção temporária para que o negócio não quebre antes da hora”, afirmou.

Contratos e serviços ficam protegidos

Na prática, a decisão impede que credores e parceiros comerciais antecipem cobranças ou retenham valores da companhia. Fornecedores também ficam obrigados a entregar mercadorias que já estejam a caminho.

A determinação também protege serviços considerados essenciais para o funcionamento da empresa, como água, energia elétrica, internet e os aluguéis dos imóveis onde a varejista mantém suas operações.

Scardoa explicou que a medida tem como objetivo impedir que a situação financeira da companhia seja agravada durante o período de análise judicial.

Multa em caso de descumprimento

Quem descumprir as determinações impostas pela Justiça poderá ser penalizado com multa diária de R$ 50 mil.

A proteção, porém, veio acompanhada de obrigações. De acordo com Scardoa, a empresa terá prazo de dez dias para corrigir falhas e apresentar documentos que ficaram pendentes no processo. O descumprimento poderá levar ao cancelamento da ação.

Próximo passo será uma auditoria

O advogado também explicou que o processo terá agora uma etapa de constatação prévia, procedimento destinado a verificar a situação real da empresa antes de uma eventual concessão definitiva da recuperação judicial.

Um perito foi nomeado pela Justiça e terá 30 dias para apresentar um relatório detalhado sobre a situação financeira e operacional da companhia.

“Só depois de ver esse raio-X completo é que a Justiça vai decidir se concede, de forma definitiva, o selo oficial de recuperação judicial”, afirmou Scardoa.

A constatação prévia deverá ajudar o Judiciário a avaliar se a empresa efetivamente está em funcionamento e se reúne as condições necessárias para prosseguir com o processo de recuperação judicial.

Crise no varejo

A decisão ocorre em um momento de dificuldades para grandes empresas do varejo brasileiro, que têm recorrido à recuperação judicial como alternativa para renegociar dívidas e reorganizar suas operações.

A suspensão das cobranças é uma das medidas utilizadas para preservar as atividades da empresa durante o processo e evitar que ações individuais de credores comprometam seu funcionamento.

No caso das Casas Bahia, a companhia busca negociar um passivo estimado em R$ 17,3 bilhões e manter suas operações enquanto avança na tentativa de reestruturação financeira.

A empresa possui uma ampla rede de lojas físicas e operação de comércio eletrônico. A proteção concedida pela Justiça busca garantir condições para que a companhia continue funcionando durante a análise do processo.

O caso segue sob análise da Justiça de São Paulo e tramita em segredo de Justiça.

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