O Ministério Público Eleitoral de São Paulo (MPE) decidiu arquivar a denúncia de intimidação apresentada pela campanha do candidato ao governo Fernando Haddad (PT), após suposta abordagem ao motorista do petista durante a campanha eleitoral. O caso, no entanto, segue em investigação na Polícia Civil do estado.
O arquivamento foi comunicado pelo procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt, que não identificou indícios de crime eleitoral ou de ilícitos atribuíveis ao governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Mesmo assim, o inquérito policial não foi encerrado e permanece sob análise das autoridades.
A defesa do motorista de Haddad apresentou um laudo pericial que contradiz a versão oficial do governo paulista sobre o episódio. O documento aponta inconsistências nos registros telemáticos e nos relatórios das viaturas envolvidas, reforçando a tese de perseguição contínua, conforme alegado pela campanha do PT.
Segundo os dados analisados, a primeira viatura citada na abordagem já estava recolhida em sua base operacional às 21h56, enquanto o motorista de Haddad só chegou ao hotel às 21h58. Uma segunda viatura teria passado pelo local apenas às 22h24, e o motorista deixou o local de forma autônoma dois minutos depois, sem ser seguido.
Uma terceira viatura só entrou na rua do hotel às 22h38, 12 minutos após a partida do Ford Fusion, o que inviabilizaria qualquer contato. Os dados foram apresentados pelas autoridades e sustentam a argumentação da defesa, que contesta a tese de que as abordagens teriam sido mera coincidência.
O procurador Taubemblatt, ao justificar o arquivamento no âmbito eleitoral, afirmou que o exame crítico dos fatos afasta a verossimilhança de uma coincidência no patrulhamento. «Mostra-se inverossímil que, em um interregno de apenas 44 minutos e em um raio geográfico estreito, duas guarnições distintas do Programa de Força Tática tenham estabelecido sucessivos contatos visuais e abordagens atípicas com os mesmos representantes e com o mesmo veículo», disse.
O advogado Thiago Rocha, que representa o motorista, entregou às autoridades uma perícia que corrobora a versão do condutor, na qual os policiais estacionaram o carro mais à frente, contradizendo o que disse Tarcísio de Freitas logo após o ocorrido. As imagens foram analisadas antes do parecer do MPE.
Haddad afirmou que o laudo validou a versão apresentada pelo motorista. «O fato é o seguinte, a viatura ficou estacionada 20 minutos naquele local. Não foi um minuto, nem dois minutos, foram mais de 20 minutos», declarou o candidato, reforçando a tese de que houve monitoramento deliberado.
A Polícia Civil de São Paulo segue com as investigações para apurar as circunstâncias do caso. O arquivamento no âmbito do MPE não encerra a apuração criminal, que pode resultar em novas diligências ou indiciamentos, dependendo das evidências coletadas.
O episódio ocorreu durante a campanha eleitoral, gerando repercussão política e alimentando o debate sobre a atuação das forças de segurança. A assessoria do governo de São Paulo ainda não se manifestou sobre o andamento do inquérito.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mpe-arquiva-apuracao-mas-caso-de-motorista-de-haddad-segue-na-policia

