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São Paulo

Estudo questiona desempenho de alunos em 50 escolas estaduais no Provão Paulista

Pesquisa da Rede Escola Pública e Universidade aponta resultados 'extremamente improváveis' em 50 escolas estaduais de São Paulo; Seduc contesta conclusão de fraude sistêmica.

O Provão Paulista Seriado garante o acesso direto às principais universidades e faculdades públicas do estado. Saiba tudo sobre a avaliaçãoFoto: Governo de SP/Divulgação
Raphael Nogueira Felix
4 de setembro de 202615:34
Atualizado agora há pouco às 18:34

Um levantamento baseado em dados da Secretaria da Educação de São Paulo (Seduc) indica que alunos de 50 escolas estaduais tiveram desempenho “extremamente improvável” no Provão Paulista, exame seriado que dá acesso a universidades públicas. O estudo, realizado pela Rede Escola Pública e Universidade (Repu), sugere que os resultados podem ter influenciado a seleção de candidatos a vagas no ensino superior.

A análise abrange as edições de 2023, 2024 e 2025 do Provão Paulista, que foi criado em 2023 pelo governo estadual. Pesquisadores identificaram que, em 2025, metade dos desempenhos atípicos no 3º ano do ensino médio estava concentrada em apenas 50 escolas – o equivalente a 1,4% das unidades participantes. Em algumas dessas escolas, mais de 90% dos estudantes apresentaram resultados considerados fora do padrão estatístico.

O estudo aponta que ao menos 4.305 estudantes do 3º ano tiveram saltos de aproximadamente 20 pontos de um ano para o outro, com variação de pelo menos três desvios-padrão, o que os autores consideram “extraordinariamente elevado e improvável”. A conclusão é que os dados são “consistentes com a ocorrência de fraude sistêmica”, embora não generalizada para toda a rede estadual.

Para efeito de comparação, os pesquisadores avaliaram o desempenho de alunos das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e de redes municipais. Nas Etecs, apenas 0,17% dos estudantes apresentaram resultados atípicos em 2025, proporção considerada dentro da normalidade estatística. Já entre os alunos do 3º ano da rede estadual, o índice subiu de 0,49% em 2024 para 1,91% em 2025.

O professor Fernando Cássio, da Universidade de São Paulo (USP), um dos responsáveis pelo estudo, afirma que um aluno individualmente poderia ter uma melhora excepcional, mas o problema é a concentração de resultados anômalos nas mesmas escolas e regiões. “Nesse caso, só um milagre poderia explicar o fenômeno”, declarou o pesquisador.

Leonardo Crochik, professor do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), que também participou da análise, destaca que os resultados atípicos estão espalhados por várias regiões do estado, mas concentrados em poucas unidades. “É isso o que permite concluir que a fraude, embora não generalizada nas escolas da rede estadual, é certamente sistêmica e incompatível com a hipótese de irregularidades pontuais”, disse.

A Secretaria da Educação de São Paulo contestou a conclusão do estudo. Em nota, a pasta afirma que não há evidências que comprometam o processo seletivo e que o Provão Paulista segue critérios rigorosos de aplicação e correção. A Seduc também informou que está aberta a diálogo com os pesquisadores para esclarecer os dados.

O Provão Paulista é um exame seriado que oferece vagas em universidades públicas paulistas, como USP, Unesp, Unicamp, Fatecs e Univesp. Os resultados também são usados pelo governo estadual para avaliar a eficácia das escolas. A controvérsia levanta questionamentos sobre a confiabilidade do exame como ferramenta de seleção e de avaliação da educação básica.

Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam a importância de uma investigação aprofundada para garantir a transparência do processo. Enquanto isso, estudantes e famílias aguardam esclarecimentos sobre como os resultados serão tratados e se novas medidas serão adotadas para evitar distorções nas próximas edições.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/provao-paulista-desempenho

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