O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou uma nova denúncia contra o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Eles agora respondem por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, no âmbito da Operação Carbono Oculto, que investiga a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.
A denúncia faz parte de um desdobramento da operação deflagrada em agosto de 2025, que mirou um esquema de adulteração de combustíveis e crimes financeiros. De acordo com o MPSP, os dois investigados estão foragidos até o momento.
Anteriormente, em 26 de agosto, a promotoria já havia denunciado 16 suspeitos, incluindo Beto Louco, por envolvimento no desvio de metanol para adulterar combustíveis, falsidade documental, fraudes contra o consumidor e crimes fiscais. Na ocasião, o órgão afirmou que os denunciados teriam integrado e financiado organização criminosa com esses fins.
A defesa de Mohamad Hussein Mourad classificou a nova denúncia como especulativa. Em nota, os advogados disseram que a acusação apresenta uma narrativa desconexa da realidade e não aponta claramente o crime antecedente que justificaria a acusação de lavagem de dinheiro. Eles também questionaram a falta de detalhes sobre a origem e o destino dos recursos supostamente lavados.
Já a defesa de Beto Louco afirmou que pretende provar a improcedência da denúncia ao longo do processo. A equipe jurídica não comentou o mérito das acusações, mas garantiu que apresentará todos os esclarecimentos necessários.
A Operação Carbono Oculto foi realizada por uma força-tarefa com cerca de 1.400 agentes de órgãos como MPSP, Polícia Federal, Polícia Civil, Receita Federal e Agência Nacional do Petróleo (ANP). Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisões em oito estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.
As investigações apontam que o esquema atuava desde a importação de metanol até a distribuição e venda de combustíveis adulterados em postos ligados à facção. Mais de 350 alvos são investigados por crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
O caso segue em segredo de justiça, e a nova denúncia deverá ser analisada pela Justiça paulista. Os acusados ainda não foram localizados para citação, e a defesa afirma que tomará as medidas cabíveis assim que tiver acesso integral aos autos.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/carbono-oculto-mpsp-oferece-nova-denuncia-beto-louco-primo

