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São Paulo

Investigada por fraude em licitação, produtora de filme sobre Bolsonaro é alvo de operação da PF

Karina Gama, responsável pelo filme Dark Horse, é investigada por suspeita de fraude em contrato de Wi-Fi com a Prefeitura de São Paulo; PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão.

Foto: Reprodução
Raphael Nogueira Felix
10 de setembro de 202610:36
Atualizado agora há pouco às 13:36

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10/9) uma operação com 49 mandados de busca e apreensão contra um suposto esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares. Entre os alvos está Karina Gama, produtora do filme Dark Horse, que também é investigada por suspeita de fraude em licitação na Prefeitura de São Paulo.

Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal e cumpridos em endereços ligados a empresas de Karina, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), localizados em São Paulo e em outros pontos do Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. O deputado federal e candidato à reeleição Mário Frias (PL-SP) também é alvo da operação.

De acordo com as investigações, há indícios de uma organização criminosa composta por agentes públicos e privados que teria direcionado parte dos recursos recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.

A apuração em São Paulo envolve um contrato firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e o ICB para instalação e manutenção de pontos de internet em comunidades periféricas da capital. Segundo o Metrópoles, a gestão do prefeito Ricardo Nunes informou ter pago R$ 114 milhões ao instituto pelo serviço.

As autoridades apontam uma série de falhas consideradas graves no termo de colaboração. Uma delas é a falta de capacidade técnica: o chamamento público para fornecimento de Wi-Fi teria tido a participação exclusiva do ICB, entidade sem experiência no setor de telecomunicações e com atuação anterior apenas em feiras de livros e eventos religiosos.

Outro ponto destacado é o superfaturamento. Enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306 pela manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB estipulou o pagamento de R$ 1.800 fixos por ponto, valor considerado injustificadamente superior aos parâmetros de mercado.

A investigação também aponta descumprimento de metas e fraudes em aditivos contratuais. A entidade teria instalado apenas 3.200 dos 5.000 pontos previstos. Para ocultar a demora, foram celebrados três termos aditivos em intervalos de poucos dias.

Além disso, a administração municipal teria realizado a antecipação de R$ 26 milhões sem a devida comprovação dos serviços, o que configura, segundo os investigadores, pagamento indevido e antecipado.

Em junho deste ano, Karina Gama já havia sido alvo da Operação Wi-Fi Livre, que apurava se parte da produção cinematográfica do filme Dark Horse teria sido financiada por meio do contrato público firmado entre a ONG e a Prefeitura da capital.

Procurada, a defesa de Karina Gama e os demais citados não se manifestaram até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/dark-horse-karina-gama-pf-wi-fi

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