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São Paulo

Nunes aciona Polícia Civil contra Haddad por falas em debate eleitoral de agosto

Prefeito de São Paulo protocolou queixa-crime por calúnia e difamação após declarações do candidato ao governo paulista durante debate na TV Bandeirantes.

Nunes protocola queixa-crime contra Haddad por difamação e calúnia. Leon Rodrigues/Secom e Rebeca Ligabue/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
11 de setembro de 202616:04
Atualizado agora há pouco às 19:04

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), apresentou uma queixa-crime à Polícia Civil contra o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), por calúnia e difamação. A ação foi motivada por declarações feitas pelo petista durante o debate entre candidatos ao governo paulista na TV Bandeirantes, em 9 de agosto.

De acordo com a representação, Haddad afirmou que Nunes teria dito que o endividamento da capital paulista chegaria a R$ 50 bilhões e que contratos firmados pela Prefeitura com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para instalação de pontos de Wi-Fi teriam sido usados para financiar o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A queixa foi protocolada nesta semana e pede que Haddad seja intimado a prestar esclarecimentos às autoridades.

O prefeito acompanhava o debate na plateia, ao lado da equipe do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Até o momento, a Polícia Civil não instaurou inquérito sobre o caso.

Segundo informações publicadas pelo Metrópoles, a gestão Nunes informou ter pago R$ 114 milhões ao ICB para instalação e manutenção de Wi-Fi. O contrato é alvo de apuração da Operação Wi-Fi Livre, que investiga possíveis irregularidades no termo de colaboração entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e a ONG.

Em nota, a assessoria de Haddad declarou que «considera que a Operação da polícia federal deflagrada, tendo como alvo Karina Gama e o deputado Mário Frias, inclusive com eventuais prisões ou delações de envolvidos, possa esclarecer os fatos».

Na última quinta-feira (10/9), Nunes negou irregularidades no contrato e afirmou que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) «está acompanhando» o caso. O emedebista também negou qualquer relação com Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse e ligada ao ICB, mas disse que a prefeitura cumprirá qualquer decisão judicial.

Antes de autorizar a operação da Polícia Federal nesta quinta, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu dados da investigação em São Paulo. Em junho deste ano, a dona da produtora GoUp Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, foi alvo da Operação Wi-Fi Livre por suspeitas de que parte da produção cinematográfica tenha sido financiada por contrato público firmado entre a ONG e a Prefeitura de São Paulo.

As autoridades apuram possíveis irregularidades no termo de colaboração firmado entre a SMIT e o ICB para a contratação e instalação de Wi-Fi em comunidades periféricas da cidade. As investigações apontaram uma série de falhas consideradas graves e indícios de conduta ilegal desde a origem da contratação.

O caso envolve ainda desdobramentos políticos, uma vez que Haddad é candidato ao governo estadual e Nunes é pré-candidato à reeleição na capital. A queixa-crime não interfere no calendário eleitoral, mas adiciona um novo capítulo à disputa entre os dois campos políticos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/nunes-protocola-queixa-crime-contra-haddad-por-difamacao-e-calunia

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