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São Paulo

Vereador que ligou funk ao crime usa o ritmo em jingle de campanha para deputado

Lucas Pavanato (PL), relator da CPI dos Pancadões, lançou funk de campanha com pedido de voto e afirma que critica apenas letras com apologia ao crime.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Raphael Nogueira Felix
11 de setembro de 202602:44
Atualizado agora há pouco às 05:44

O vereador Lucas Pavanato (PL) lançou mão do funk em peças de sua campanha para a Câmara dos Deputados, depois de ter associado o gênero musical ao crime organizado durante a CPI dos Pancadões na Câmara Municipal de São Paulo. Nas redes sociais, o parlamentar divulgou o jingle «Corte Rápido (Funk do Pavanato)», um pancadão que pede votos.

No vídeo, Pavanato aparece com óculos estilo Juliet e segura uma caixa de som, elementos comuns no universo do funk. A letra repete o número do candidato e pede voto: «Vota no Pavanato. Vota, vota no Pavanato. 2211, eu tô fechado com você. Lucas Pavanato é o melhor de SP», canta.

A mudança de postura ocorre meses após o vereador atuar como relator da CPI criada em 2025 para investigar omissões de órgãos públicos na fiscalização de festas clandestinas e pancadões em São Paulo. Durante os trabalhos, ele se alinhou ao presidente da comissão, Rubinho Nunes (União), na defesa de que funkeiros e bailes de periferia estariam diretamente ligados à prática de crimes.

No relatório final, Pavanato afirmou ser evidente que «pancadões, em determinados contextos, funcionam como espaços de difusão e normalização da chamada narcocultura». Segundo ele, o fenômeno legitimaria o crime organizado, o tráfico de drogas e a violência como «meios de ascensão social e afirmação identitária».

Procurado pelo Metrópoles, o candidato justificou o uso do ritmo em sua campanha. «O problema com o funk é a letra, não o ritmo. Quem não percebe a diferença tem déficit cognitivo», declarou. Ele sustenta que critica letras com apologia ao crime, e não o gênero em si.

A atuação do vereador contra o funk não se limitou à CPI. Em junho deste ano, o Museu da Língua Portuguesa decidiu encerrar antecipadamente a exposição «Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade» após representação de Pavanato e do deputado estadual Felipe Sertanejo (PL) ao Ministério Público de São Paulo.

A mostra havia começado em novembro de 2025 e estava prevista para durar até agosto de 2026, mas foi encerrada no fim de maio. Antes do fechamento, o vereador publicou um vídeo com críticas à exposição, afirmando que a iniciativa promovia «funk, sexualidade explícita e crime organizado».

Na ocasião, ele declarou: «O pior não é você retratar a realidade, é promover isso como se fosse normal. Quando um jovem vem para cá, ele acha que é uma cultura normal e desejável, mas não é». A representação pedia que o MPSP apurasse possíveis violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente, citando exposição indevida de menores a conteúdo considerado impróprio e eventual apologia ao crime organizado.

Em junho de 2025, Pavanato também publicou um vídeo acompanhando a Guarda Civil Metropolitana em ação para encerrar um pancadão no bairro Cidade Ademar, na zona sul da capital paulista. O episódio reforçou a linha de atuação do parlamentar contra eventos do tipo, que agora contrasta com o uso do funk em sua própria campanha.

O caso reacende o debate sobre a relação entre o poder público e a cultura periférica, tema que segue em discussão na cidade e no Legislativo paulistano.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/candidato-funk-crime-jingle-campanha

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