O Jardim Pantanal, bairro localizado na várzea do Rio Tietê, no extremo leste da cidade de São Paulo, permanece alagado há quase quatro dias. A situação começou no sábado (12), quando uma sequência de chuvas de grande volume atingiu a capital paulista e fez o nível da água subir na região.
Segundo relatos de moradores e lideranças comunitárias, a água não recua e muitas famílias perderam bens e não conseguem deixar suas casas. Diante da dificuldade de acesso, moradores e voluntários se organizaram para distribuir água potável e alimentos às pessoas que estão ilhadas.
«A coisa aqui está muito feia. A água não abaixa nem um pouco. As pessoas perderam tudo o que tinham», afirmou Sirlange Novaes. A líder comunitária Vanessa Moreira também descreveu a situação: «Está bem difícil a situação. A gente está ilhado, precisando de doações».
A Prefeitura de São Paulo informou que distribuiu mais de 11 mil itens de insumos, entre cestas básicas e kits de higiene, para 1.051 famílias. A Escola Estadual Cristina de Castro Paes recebeu 17 pessoas provisoriamente em um abrigo improvisado.
O episódio reacende a lembrança de um ano atrás, quando o Jardim Pantanal passou dias inundado, com água entrando nas casas e moradores desabrigados. Na ocasião, as ruas pareciam rios e a população improvisou barcos para se locomover pela região.
«Isso é revoltante, gente. No ano passado, eu perdi tudo. E agora de novo?», desabafou a líder comunitária Maria das Graças. Além da casa dela, a água atingiu a sede da Associação das Mães do Jardim Pantanal, entidade que ela preside.
O problema das enchentes na região virou tema de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Vereadores após decisão judicial. Em maio de 2025, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciaram em conjunto um projeto para o bairro.
O plano prevê a remoção de 4,3 mil imóveis e a construção de uma barreira próxima ao rio para impedir nova ocupação do terreno, além de obras de micro e macrodrenagem para melhorar o escoamento da água. O custo estimado é de R$ 700 milhões, com investimentos divididos entre prefeitura e governo estadual. As remoções seguem em andamento.
A prefeitura afirma que intensificou ações de zeladoria e prevenção no Jardim Pantanal e no entorno. «A região também recebe ações do Plano Recupera Pantanal, com investimento de R$ 59,8 milhões em novas galerias para ampliar a capacidade do sistema de drenagem, além da pavimentação de 10,4 km de vias», declarou a gestão municipal em nota, citando ainda a construção de um muro de gabião ao longo de cerca de 845 metros das margens do Tietê.
O governo do estado informou que já retirou mais de 371,9 mil metros cúbicos de sedimentos do Rio Tietê na região do Jardim Pantanal, em um investimento de R$ 55,8 milhões para ampliar a capacidade de escoamento e reduzir os impactos das cheias. A região está inserida na várzea do Alto Tietê e, historicamente, registra episódios de inundação em períodos de chuvas volumosas.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/alagado-jd-pantanal-agua-e-comida

