Especialistas reunidos nesta terça-feira (15/9) na sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, afirmaram que as chuvas volumosas dos últimos dias são excepcionais e que a tendência para os próximos meses no estado de São Paulo é de tempestades intensas e de curta duração. O comportamento estaria associado ao avanço do El Niño, que também deve elevar as temperaturas.
O encontro contou com a participação de representantes do próprio Inpe, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Segundo os pesquisadores, o fenômeno não altera necessariamente o volume total de chuvas, mas modifica o padrão das precipitações.
O pesquisador Gilvan Sampaio, do Inpe, explicou que os efeitos do El Niño são mais sentidos no sul da região Sudeste, como no Vale do Ribeira, e que as chuvas tendem a ocorrer em forma de pancadas. «Temos um ambiente mais aquecido, não se tem a frequência de frente fria chegando, porque elas ficam bloqueadas no Sul, em geral. Então há formação de chuvas mais convectivas, do que aquelas chuvas que ficam por quatro, cinco, seis dias, como nesses últimos dias», disse Sampaio.
Entre os especialistas, ainda não há consenso se o início de setembro com volume histórico de chuvas já é uma consequência exclusiva do El Niño ou se a passagem de uma frente fria com um sistema de baixa pressão teve papel mais decisivo. O meteorologista Giovanni Dolif, do Cemaden, destacou que, em agosto, a quantidade de vapor de água na atmosfera estava muito acima da média.
«O mês de agosto, que é um mês seco aqui em São Paulo, estava com uma temperatura de orvalho muito acima da média. Isso mostra, em grande escala, uma situação já muito diferente do que normalmente acontece», afirmou Dolif. Segundo ele, são sinais de uma combinação entre o El Niño e um planeta mais quente, com oceanos mais aquecidos que evaporam mais e fornecem mais água para as chuvas.
Os participantes do evento ressaltaram que um El Niño histórico não produz necessariamente catástrofes de mesma proporção. Cada fenômeno tem particularidades, e não é possível afirmar que o país terá tragédia semelhante à ocorrida no Rio Grande do Sul em 2024, quando boa parte do estado ficou debaixo d'água.
O Sistema Cantareira, que abastece parte da Grande São Paulo, opera com nível de 39,1%, e especialistas alertam para a possibilidade de perda de água por evaporação a partir de janeiro, quando o calor tende a se intensificar. A situação exige acompanhamento contínuo dos reservatórios.
A recomendação das autoridades é que a população fique atenta aos avisos meteorológicos e às orientações da Defesa Civil, especialmente em áreas sujeitas a alagamentos e deslizamentos. Tempestades curtas podem ser intensas e provocar transtornos localizados.
O acompanhamento do El Niño e de seus impactos sobre o clima no Sudeste segue sendo feito por instituições de pesquisa e monitoramento, que devem divulgar novas atualizações conforme a evolução do fenômeno.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/sao-paulo-deve-ter-tempestades-curtas-e-intensas-com-avanco-do-el-nino

