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São Paulo

TJSP revoga prisão preventiva de PM acusado de matar estudante de medicina na Vila Mariana

Decisão da 12ª Câmara de Direito Criminal impõe medidas cautelares ao policial, que responderá em liberdade; família da vítima critica a soltura.

Justiça de SP manda soltar PM réu pela morte de estudante de medicinaFoto: Reprodução
Raphael Nogueira Felix
18 de setembro de 202600:09
Atualizado agora há pouco às 03:09

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decidiu revogar a prisão preventiva do policial militar Bruno Carvalho do Prado, réu pela morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos. O crime ocorreu em novembro de 2024, no bairro da Vila Mariana, zona sul da capital paulista. A decisão foi tomada pela 12ª Câmara de Direito Criminal durante a análise de um habeas corpus apresentado pela defesa do policial.

Bruno Carvalho do Prado e o também policial militar Guilherme Augusto Macedo são acusados de homicídio duplamente qualificado e irão a julgamento pelo Tribunal do Júri. O policial havia sido preso preventivamente em 31 de julho deste ano. A ordem de prisão foi motivada por um suposto episódio posterior de lesão corporal e ameaça contra sua companheira, no contexto de violência doméstica. O pedido de prisão foi apresentado pela assistência de acusação e ratificado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Ao analisar o caso, o desembargador Sérgio Mazina Martins considerou que os fatos usados para justificar a prisão não estariam «suficientemente demonstrados». Segundo o acórdão, a mulher afirmou posteriormente que não havia sido agredida pelo policial e atribuiu o episódio a uma crise emocional relacionada ao consumo de medicamentos e álcool.

O relator também destacou que o pedido de medidas protetivas havia sido negado pelo juízo responsável pelo caso de violência doméstica, diante de versões conflitantes e da manifestação da própria mulher de que não se encontrava em situação de risco. A decisão ressaltou que a manutenção da prisão preventiva seria desproporcional e poderia ser substituída por outras medidas cautelares.

De acordo com o tribunal, Bruno respondeu em liberdade durante a primeira fase do processo pela morte de Marco Aurélio e não havia registro de descumprimento de determinações judiciais. Mesmo solto, o policial deverá comparecer mensalmente à Justiça, manter seu endereço atualizado e não poderá deixar a comarca onde mora por mais de oito dias sem autorização judicial.

A decisão ainda proíbe Bruno de portar ou possuir armas de fogo e de entrar em contato com familiares de Marco Aurélio e com testemunhas do processo. O policial deverá permanecer em funções administrativas e afastado de atividades operacionais até uma nova deliberação da Justiça.

Em nota, a defesa da família de Marco Aurélio afirmou ter recebido a decisão com «profunda consternação». Os advogados sustentam que a soltura «renova a dor» dos parentes e que a medida contraria a expectativa de justiça. A família da vítima critica a decisão e acompanha o caso com apreensão.

O caso segue em tramitação na Justiça paulista. Os dois policiais aguardam o julgamento pelo Tribunal do Júri, que ainda não tem data definida. A defesa dos acusados não se manifestou até a publicação desta matéria.

O TJSP informou que a decisão foi fundamentada na análise dos autos e que não houve comprovação suficiente dos fatos que justificassem a manutenção da prisão preventiva. O processo corre em segredo de justiça.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/justica-de-sp-manda-soltar-pm-reu-pela-morte-de-estudante-de-medicina

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