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São Paulo

Quase metade dos celulares levados em assaltos na capital paulista é iPhone, aponta levantamento

Dados da Polícia Civil mostram que aparelhos da Apple representaram 47,2% dos roubos e furtos de celular na cidade de São Paulo entre janeiro e julho; Rua Augusta lidera ocorrências.

Imagem mostra mulher segurando Iphone diante de paisagem urbanaFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
21 de setembro de 202603:10
Atualizado agora há pouco às 06:10

Um levantamento da Polícia Civil revela que os iPhones estiveram envolvidos em 47,2% dos roubos e furtos de celular registrados na cidade de São Paulo entre janeiro e julho deste ano. No período, pouco mais de 40 mil ocorrências tiveram aparelhos da Apple entre os itens levados pelos criminosos.

O índice chama atenção porque a participação dos iPhones nos crimes é bem superior à fatia que os modelos da Apple representam no total de celulares em uso no Brasil, segundo dados do site Statcounter Global Stats. A diferença evidencia que o aparelho se tornou um alvo preferencial nas ações criminosas na capital paulista.

Os bairros mais ricos da cidade concentram os maiores percentuais de roubos e furtos de iPhones em relação ao total de celulares subtraídos. Na área do 14º Distrito Policial, em Pinheiros, por exemplo, a cada três aparelhos levados, sete eram da Apple.

Entre as vias públicas, a Rua Augusta registrou o maior número de casos envolvendo iPhones: 498 ocorrências em sete meses. O sábado de Carnaval, 14 de fevereiro, foi o dia com mais registros, somando 483 casos — uma média de um a cada três minutos.

O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em segurança pública Rafael Alcadipani avalia que o interesse do mercado paralelo explica a preferência dos criminosos. «Porque é o celular de maior desejo da população», afirma.

Alcadipani também critica a ausência de mecanismos mais robustos de proteção nos aparelhos. «Como é um problema mundial, não só do Brasil, era importante que tivesse mais medidas de segurança, mecanismos mais desenvolvidos nos aparelhos para evitar que fossem tão facilmente obtidos pelo crime», diz.

Sobre a atuação das forças de segurança, o professor aponta falta de efetivo para lidar com esse tipo de crime de forma mais inteligente. Ele, no entanto, elogia uma operação recente do Ministério Público de São Paulo (MPSP) em parceria com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), que apreendeu toneladas de aparelhos.

«Se continuar com esse tipo de operação, podemos ver algum tipo de melhora em São Paulo, especificamente», avalia Alcadipani. A Secretaria da Segurança Pública informou que a Operação Frankmobile cumpriu 84 mandados de busca e apreensão e resultou em 15 prisões.

Os novos iPhones chegaram ao Brasil na última semana com preços a partir de R$ 11.999. Em outubro, está prevista a chegada do modelo dobrável da Apple, com versões que podem ultrapassar R$ 30 mil — o que, segundo especialistas, tende a manter o interesse do crime organizado por esses dispositivos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/iphones-foram-alvo-de-metade-dos-roubos-e-furtos-de-celular-em-sao-paulo

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