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São Paulo

Vistoria apontou falhas e recomendou retirada de famílias antes de desabamento na Penha

Engenheiro civil relatou à Controladoria Geral do Município que a obra tinha mais unidades que o alvará previa e problemas estruturais; seis pessoas morreram no colapso em 12 de setembro.

Queda de prédio na Penha. Nunes exonera de cargo de chefia servidora investigada por obra que desabouFoto: Divulgação/Corpo de Bombeiros
Raphael Nogueira Felix
23 de setembro de 202610:16
Atualizado agora há pouco às 13:16

O engenheiro civil responsável por uma vistoria na obra que desabou na Penha, zona leste de São Paulo, afirmou em depoimento à Controladoria Geral do Município (CGM) que identificou falhas estruturais no empreendimento e recomendou a retirada das famílias que moravam no imóvel vizinho. O colapso ocorreu em 12 de setembro e deixou seis mortos.

Segundo o relato prestado em 18 de setembro, a empresa do engenheiro Fábio José de Oliveira foi contratada pela construtora New Home para avaliar o imóvel na Rua Tequici. A vistoria foi feita em fevereiro de 2026.

No local, o profissional notou que o número de unidades habitacionais era maior do que o previsto no alvará de aprovação e execução. O documento autorizava 39 unidades, mas cerca de 50 estavam projetadas.

A vistoria também apontou escadas mais estreitas do que o exigido, ausência de reservatório para combate a incêndio e falta de previsão de caixa d'água no projeto. De acordo com o engenheiro, a estrutura não atendia às normas do Corpo de Bombeiros.

Em relação aos imóveis vizinhos, o profissional observou que a construção exercia pressão sobre as casas ao redor. Na residência atingida pelo desabamento, ele havia identificado rachaduras em muros e na sarjeta, com reflexos na calçada. Diante do risco de colapso, o engenheiro recomendou a saída da família que ocupava o imóvel vizinho.

O especialista solicitou uma análise do uso do solo, mas a construtora respondeu que não possuía o documento e que iria verificar sua disponibilidade. A empresa teria informado dispor de R$ 670 mil para a reestruturação, valor considerado inviável pelo engenheiro diante da gravidade dos problemas estruturais.

Sem o estudo do solo, segundo ele, era difícil calcular os custos exatos. O orçamento estimado para deixar a estrutura em condições habitáveis chegou a R$ 5 milhões. Após a vistoria, a construtora não deu continuidade à contratação da empresa do engenheiro.

A Polícia Civil informou que quatro pessoas podem ser indiciadas por homicídio com dolo eventual em razão do desabamento. Três delas, sócias da construtora responsável pela obra, tiveram mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça.

Ronaldo Vivacqua, apontado como sócio oculto da New Home, foi preso temporariamente em 13 de setembro. Cristiano Vivacqua, filho dele e responsável técnico pela obra, e Ísis Brandão, proprietária formal da empresa, seguem foragidos.

Mais de dez pessoas moravam na residência atingida pelo prédio. As investigações prosseguem para apurar as responsabilidades pelo colapso.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/desabamento-vistoria-retirada-familias

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