UrgenteMPSP aponta que Banco Genial tentou se desvincular de esquema após Operação Carbono Oculto
← Voltar

São Paulo

MPSP aponta que Banco Genial tentou se desvincular de esquema após Operação Carbono Oculto

Investigação do Ministério Público de São Paulo indica que a instituição financeira teria adotado manobras para dissimular vínculos com organização criminosa após deflagração da operação.

Foto: Divulgação/Receita Federal
Raphael Nogueira Felix
24 de setembro de 202610:09
Atualizado agora há pouco às 13:09

O avanço das investigações da Operação Carbono Oculto teria levado o Banco Genial a adotar medidas para tentar se desvincular do esquema criminoso e dissimular a estrutura financeira envolvida, segundo apontou o Ministério Público de São Paulo (MPSP). A instituição teria sido peça central na aquisição de uma das principais distribuidoras de combustíveis do país, a Terrana.

De acordo com o MPSP, o ex-sócio e ex-diretor do banco, Humberto Arthur Tupinambá Neto, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá integravam o núcleo financeiro da organização criminosa investigada. As investigações identificaram que empresas ligadas a André e Bruno, a AT Assessoria e a BT Assessoria, receberam repasses diretos de R$ 469.250 cada, provenientes da Aster Petróleo, distribuidora de combustíveis que foi alvo da primeira fase da operação.

Conforme as apurações, em agosto de 2024 o Banco Genial assumiu a administração do fundo multimercado Radford, que tinha como cotista única e exclusiva a Usina Itajobi, localizada no interior de São Paulo. Segundo os investigadores, essa usina teria sido instrumentalizada para movimentar valores vultosos, posteriormente utilizados na compra da Terrana.

O fundo Radford, por sua vez, foi abastecido com recursos repassados à usina pelos operadores do esquema criminoso e, em seguida, aplicou esses valores em Certificados de Depósito Bancário Vinculados (CDBVs) emitidos pelo próprio Banco Genial. De acordo com o MPSP, o grupo promoveu uma movimentação circular dos valores com o objetivo de ocultar os verdadeiros beneficiários e conferir aparência de legitimidade às transações.

Logo após a deflagração da primeira fase da Carbono Oculto, o Banco Genial renunciou à administração do fundo Radford, liquidou os CDBVs e cedeu os créditos das Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) diretamente ao próprio fundo. Para os investigadores, essa manobra expôs o caráter dissimulatório da operação, pois removeu a fachada bancária de empréstimo e evidenciou o vínculo direto do fundo da Usina Itajobi com as empresas de fachada usadas na compra da Terrana.

Interceptações de mensagens indicaram negociações diretas de agentes do Genial com operadores sob a liderança de Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, conforme relatado pelo MPSP. A investigação segue em andamento e busca esclarecer a extensão da participação da instituição financeira no esquema.

Procurado, o Banco Genial afirmou que colabora com as autoridades e que instaurou processo interno para apurar os fatos. A instituição não comentou detalhes específicos sobre as acusações do Ministério Público.

A Operação Carbono Oculto já teve múltiplas fases, com ações em São Paulo e outros estados, e investiga um suposto esquema de ocultação de recursos e compra de ativos por meio de estruturas empresariais. As apurações envolvem distribuidoras de combustíveis, usinas e instituições financeiras.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/banco-genial-carbono-oculto

Banco GenialOperação Carbono OcultoMPSPTerranainvestigaçãoia-auto