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São Paulo

Justiça concede prisão domiciliar a investigada por ligação com facção no transporte público de SP

Carla de Paula Muller, apontada como suspeita de transmitir recados ao marido preso, deixará a prisão preventiva e cumprirá pena em casa; defesa alegou dependência de filho de 10 anos e uso de medicação controlada.

Imagens coloridas mostram 3 pichações com a sigla PCC em uma parede cinza: letras nas cores amarelo, vermelho e pretoFoto: Arte/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
29 de setembro de 202610:19
Atualizado agora há pouco às 13:19

A Justiça decidiu que Carla de Paula Muller, investigada na Operação Vectura Corrupta, vai cumprir prisão domiciliar. A operação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público de São Paulo. Carla é esposa de Antônio Jose Muller Junior, conhecido como Granada, apontado como um dos líderes da facção.

A defesa de Carla argumentou que ela tem um filho de 10 anos que depende diretamente dela, já que o pai da criança está preso na Penitenciária Federal de Brasília. O advogado também afirmou que a investigada faz uso contínuo de medicamento controlado e que a interrupção do tratamento poderia causar descompensação psíquica.

Segundo as investigações, Carla atuava na transmissão de recados de interesse da facção ao marido. A operação foi deflagrada em 17 de setembro e apura a contaminação de empresas de transporte coletivo de passageiros na capital e no interior paulista.

A investigação aponta que ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo do município de São Paulo seriam, em tese, controladas pelo PCC. Esse controle ocorreria por meio de uma estrutura organizada que combinaria empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais.

De acordo com as autoridades, os criminosos usariam os sócios formais das concessionárias e empresas de ônibus como laranjas para ocultar os verdadeiros proprietários, que seriam integrantes da facção. O grupo também teria promovido ajustes prévios para direcionar licitações e obter contratos emergenciais em diversos municípios.

Há registros de acordos para que as empresas passassem a ser administradas por membros da facção logo após vencerem as licitações, mediante repasse de propinas a agentes públicos. As facilidades no setor, conforme a investigação, seriam obtidas em troca do financiamento de campanhas eleitorais de candidatos e da cooptação de agentes públicos.

O dinheiro do crime seria injetado no setor de transporte por meio da negociação de veículos e da compra e venda de frotas inteiras de ônibus, com pagamentos de comissão aos laranjas, além da transferência de valores entre as contas das empresas e dos investigados.

A investigação também menciona um núcleo chamado Sintonia dos Gravatas, formado por advogados e operadores ligados à facção, que teriam o papel de intermediar negociações contratuais. A decisão que concede a prisão domiciliar a Carla ainda não teve todos os detalhes divulgados.

O caso segue em apuração e novas medidas judiciais podem ser adotadas conforme o avanço das investigações sobre a infiltração do crime organizado no transporte público paulista.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/esposa-de-lider-do-pcc-cumprira-prisao-domiciliar-apos-decisao-da-justica

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