A Polícia Federal concluiu o inquérito da Operação Quasar e indiciou 13 pessoas pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. A investigação, derivada da Operação Carbono Oculto, aponta que os alvos são executivos de fundos de investimento, corretoras e fintechs.
Segundo a PF, os indiciados estariam envolvidos em um esquema liderado pelos empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Ambos são considerados foragidos.
Com a conclusão do inquérito, o relatório foi encaminhado ao Ministério Público Federal, que decidirá se apresenta denúncia, solicita novas diligências ou arquiva o caso.
A Operação Carbono Oculto foi deflagrada em agosto de 2025 por uma força-tarefa com cerca de 1.400 agentes, incluindo Ministério Público de São Paulo, Ministério Público Federal, Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Receita Federal, ANP, Procuradoria-Geral do Estado, Secretaria da Fazenda e Gaeco.
A ação cumpriu mandados de busca e apreensão e de prisão em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O objetivo era desarticular um esquema fraudulento no setor de combustíveis, com infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com a investigação, a prática criminosa ia da entrada de metanol no país até postos de combustíveis ligados a pessoas próximas à facção. Ao todo, a operação tem mais de 350 alvos, suspeitos de crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.
O grupo criminoso realizava transações financeiras por meio de fintechs localizadas na Faria Lima, avenida de São Paulo conhecida como centro financeiro do país. Segundo os responsáveis pela apuração, a preferência por instituições de pagamento em vez de bancos tradicionais dificultava o rastreamento dos recursos.
As fintechs operavam com contabilidade paralela, o que permitia transferências entre empresas e pessoas físicas sem a identificação dos beneficiários finais.
Em nota ao Metrópoles, a defesa de Roberto Augusto Leme da Silva afirmou que não teve acesso aos autos até o momento. «Contudo, diante do que foi informado pela mídia, os fatos tratados na denúncia não têm nenhum relacionamento com Roberto», declarou.
O caso segue em análise pelo Ministério Público Federal, que avaliará os próximos passos da investigação. A defesa dos demais indiciados não foi localizada ou não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pf-indicia-13-acusados-de-infiltrar-pcc-no-setor-de-combustiveis-e-fintechs

