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São Paulo

Debates eleitorais de 2026 registram ausências estratégicas de candidatos nos estados e na corrida presidencial

A ausência em debates tem se consolidado como estratégia de campanha em 2026, com candidatos ao governo de São Paulo e à Presidência evitando confrontos diretos, o que preocupa especialistas em democracia.

Democracia sem debate: por que candidatos têm evitado confrontos em 2026?. Montagem Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
1 de outubro de 202602:05
Atualizado agora há pouco às 05:05

A participação em debates eleitorais, tradicionalmente vista como um momento central para a apresentação de propostas e o confronto de ideias, tem sido cada vez mais evitada por candidatos nas eleições de 2026. A prática, que já se manifestava em pleitos anteriores, agora se repete com intensidade tanto na disputa pelo governo de São Paulo quanto na corrida presidencial, deixando o eleitorado com menos oportunidades de comparar projetos e trajetórias.

No estado de São Paulo, a corrida ao Palácio dos Bandeirantes deveria ter contado com quatro debates antes do primeiro turno, previsto para este domingo. No entanto, apenas dois foram realizados: o primeiro, na Band, em 9 de agosto, e o último, na TV Globo, na terça-feira. Nos 51 dias entre os dois encontros, dois eventos promovidos por veículos de imprensa e pela Record TV não ocorreram, um deles cancelado e o outro transformado em sabatina de meia hora com apenas um dos principais candidatos.

O governador Tarcísio de Freitas e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad são os dois principais nomes na disputa paulista. A ausência de Tarcísio em parte dos compromissos levou ao cancelamento de um dos debates e à realização de uma entrevista individual com Haddad em outro. O cenário repete, em parte, o observado em 2022, quando os mesmos candidatos participaram de todos os quatro debates do primeiro turno, mas, no segundo turno, Tarcísio compareceu a apenas dois dos cinco previstos.

A situação não é inédita na política brasileira. Em 2014, o então governador Geraldo Alckmin faltou ao primeiro debate da campanha por motivos médicos, o que foi tratado com compreensão pelos adversários. Já em 2018, o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro evitou os debates do segundo turno mesmo após ser liberado por sua equipe médica, e classificou a decisão como estratégia de campanha.

Para o cientista político Marco Antonio Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas, a postura pode estar relacionada à posição ocupada pelos candidatos nas pesquisas e ao cálculo político sobre os riscos de exposição. A ausência em debates, segundo especialistas, reduz o espaço de escrutínio público e enfraquece um dos principais instrumentos de accountability do processo eleitoral.

Na corrida presidencial, o quadro é ainda mais sensível. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro não compareceram a nenhum dos três debates realizados até o momento. A ausência de ambos os principais pré-candidatos esvazia os encontros e limita a discussão de temas nacionais diante de um eleitorado que busca informações para decidir o voto.

A recorrência das faltas tem motivado debates sobre o papel dos veículos de comunicação e das regras eleitorais. Algumas emissoras têm optado por realizar sabatinas individuais quando os candidatos não comparecem em conjunto, enquanto outras cancelam os eventos. A prática levanta questionamentos sobre a efetividade do modelo de debates e sobre a necessidade de ajustes na legislação para garantir a presença dos postulantes.

Especialistas ouvidos apontam que a estratégia de evitar confrontos pode ser eficaz para candidatos que lideram as pesquisas ou que temem desgastes, mas cobra um preço democrático. A falta de debate reduz a transparência das propostas e dificulta a comparação entre projetos de governo, especialmente em um cenário de polarização e desinformação.

Ainda assim, a decisão de participar ou não dos debates é facultativa pela legislação brasileira, o que permite que os candidatos optem por estratégias de campanha que priorizem outros tipos de exposição, como redes sociais e eventos setoriais. O resultado desse cálculo, no entanto, só será medido nas urnas, quando o eleitorado avaliará se a ausência nos confrontos influenciou sua escolha.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/democracia-sem-debate-por-que-candidatos-tem-evitado-confrontos-em-2026

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