Um novo laudo produzido pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil de São Paulo e anexado ao processo que apura a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, reforçou a conclusão de que ela não faleceu. O documento, obtido pela reportagem, foi incluído nos autos na sexta-feira (2/10) e responde a questionamentos apresentados pela defesa do acusado.
A perícia descarta de forma categórica a hipótese de óbito e aponta a participação de uma segunda pessoa na dinâmica do caso. O laudo foi assinado pela perita criminal Amanda Rodrigues Marinone e mantém o entendimento de análises anteriores.
Gisele foi encontrada gravemente ferida, com um disparo de arma de fogo na cabeça, em 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, região central da capital paulista. Ela não resistiu aos ferimentos. Os dois estavam sozinhos no imóvel no momento do ocorrido.
O marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. Ele é acusado de feminicídio e de fraude processual, sob a suspeita de ter simulado a cena de óbito da esposa.
De acordo com a apuração, o oficial alega que a mulher morreu (causas em apuração)io após ele manifestar a intenção de encerrar o relacionamento. A perícia, no entanto, apontou a impossibilidade dessa tese. Familiares relataram que Gisele tentava se separar e que vivia uma relação considerada abusiva.
O tenente-coronel foi preso em 18 de março e segue detido. Ele foi pronunciado pelo crime e deverá ser julgado pelo Tribunal do Júri, em audiência ainda sem data definida. O militar também responde a processo administrativo no Conselho de Justificação da Polícia Militar, que pode resultar na perda de sua patente.
Em 31 de março, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, determinou a instauração de um conselho deliberativo para analisar a demissão do oficial. O caso segue em tramitação na Justiça e nas esferas administrativas da corporação.
A defesa do acusado foi procurada para comentar o novo laudo, mas não houve manifestação até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/laudo-impossivel-gisele-suicidio

