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Sistema de quocientes garante oito cadeiras na Câmara por São Paulo sem votação expressiva

Cálculo eleitoral e partidário permitiu que candidatos menos votados assumissem vagas na bancada paulista; entenda como funciona a distribuição.

Partido Liberal (PL) foi o partido que mais elegeu deputados federaisFoto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Raphael Nogueira Felix
5 de outubro de 202611:17
Atualizado agora há pouco às 14:17

As eleições de 4 de outubro definiram a nova composição da Câmara dos Deputados, e em São Paulo o resultado trouxe um detalhe que costuma passar despercebido: oito deputados federais eleitos não figuraram entre os mais votados do estado. A bancada paulista conta com 70 cadeiras, mas a distribuição final não segue apenas a ordem individual de votos.

O mecanismo que explica essa configuração é o sistema de quocientes eleitoral e partidário, adotado nas eleições proporcionais brasileiras. Primeiro, as cadeiras são distribuídas conforme o total de votos recebidos por cada partido ou federação; só depois os assentos são repartidos entre os candidatos daquela legenda.

Na prática, o eleitor que digita o número de um candidato pode estar ajudando a sigla como um todo. Se um postulante obtém votação muito alta, ele amplia o número de vagas a que o partido tem direito. Isso permite que outros nomes da mesma legenda, mesmo com menos votos individualmente, acabem eleitos.

Um exemplo citado na apuração é o desempenho do PL em São Paulo. A votação expressiva de um único candidato elevou o total de cadeiras do partido no estado para 19. Com isso, qualquer postulante do PL entre os 19 mais votados da sigla garante assento, ainda que não esteja entre os 70 mais votados do estado.

Os oito parlamentares que se elegeram por esse critério foram Sirlange Manga, Milton Leite Filho, Adriana Ventura, Eduardo Cury, Wesley Cezar Lelinho, Gil Diniz, Edinho Araújo e Sônia Guajajara. Eles ocupam as vagas conquistadas pela força das respectivas legendas ou coligações.

O sistema proporcional não é uma particularidade paulista: ele vale para todas as disputas de deputado federal e estadual no país. A diferença é que, em estados com bancadas maiores, como São Paulo, o efeito dos quocientes fica mais visível e pode alterar significativamente a lista final de eleitos.

Para o eleitor, o resultado prático é que o voto em um candidato pode contribuir para a eleição de outro nome do mesmo partido. Esse é um dos motivos pelos quais legendas costumam incentivar o chamado voto de legenda e a concentração de votos em candidatos puxadores de votos.

A definição dos eleitos em São Paulo também tem impacto na representação do estado nas votações da Câmara. A bancada paulista é a maior do país e costuma ter peso decisivo em pautas econômicas, sociais e institucionais.

Com a lista consolidada, os eleitos agora aguardam a diplomação e a posse para assumir os mandatos na próxima legislatura. A composição partidária da Câmara deve influenciar a formação de blocos e a escolha de lideranças na Casa.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/sp-elegeu-deputados-federais-fora-dos-mais-votados

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