As eleições de 2026 para a Câmara dos Deputados em São Paulo confirmaram a força do sistema proporcional e deixaram de fora nomes conhecidos da política municipal. Entre os que tentaram uma vaga no Congresso e não conseguiram estão a ex-vereadora Janaína Paschoal (PP) e o vereador Rubinho Nunes (União Brasil).
Janaína Paschoal, que já havia sido a candidata mais votada da história para a Assembleia Legislativa de São Paulo em 2018, com mais de 2 milhões de votos, teve desempenho bem diferente neste ano. Ela recebeu 46.773 votos e ficou como suplente, podendo assumir o mandato apenas em caso de afastamento, renúncia ou falecimento do titular.
Além dela, outros 14 vereadores da capital paulista não obtiveram votos suficientes para se eleger deputados federais. Na direita, além de Rubinho Nunes, ficaram de fora Zoe Martínez (PL) e o ex-BBB Adrilles Jorge (PL). Na esquerda, Nabil Bonduki (PT) também não conseguiu uma cadeira.
O caso de Janaína e Rubinho está ligado ao desempenho de suas federações. PP e União Brasil formaram uma federação que conquistou cinco cadeiras na Câmara dos Deputados — três do PP e duas do União. Foram eleitos Sargento Nantes, Mauricio Neves e Coronel Telhada, do PP, e Sirlange Manga e Milton Leite Filho, do União Brasil, os mais votados de cada legenda.
Já o PL, partido do vereador Lucas Pavanato, garantiu 19 cadeiras por São Paulo. Pavanato foi o deputado federal mais votado da história do estado, com 3.038.438 votos, superando o recorde anterior de Eduardo Bolsonaro (PL), que teve 1.843.735 votos em 2018. O desempenho dele ajudou a eleger outros correligionários.
O sistema proporcional é o responsável por esse cenário. Nele, o eleitor vota em um candidato, mas o voto também conta para o partido ou federação. As vagas são distribuídas conforme um cálculo matemático que leva em conta o quociente eleitoral. Por isso, candidatos muito votados podem puxar outros nomes da mesma legenda.
A série Na Boca da Urna, do Metrópoles, explica em detalhes o funcionamento desse modelo. Em um dos episódios, o veículo mostra exemplos práticos de como os votos são computados e como as cadeiras são atribuídas.
Entre os vereadores que não conseguiram se eleger deputados federais estão ainda George Hato (MDB), Sandra Santana (MDB) e Sonaira Fernandes (PL), que disputavam vagas na Assembleia Legislativa. Já Marina Bragante (PSB), Thammy Miranda (PSD) e Keit Lima (PSOL) foram eleitos deputados estaduais.
A disputa de 2026 em São Paulo evidencia como o sistema proporcional pode surpreender: nomes com votação individual expressiva às vezes não se elegem, enquanto outros, com menos votos, garantem cadeiras graças ao desempenho coletivo das legendas.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/quais-vereadores-de-sao-paulo-nao-conseguiram-se-eleger-deputados

