A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de 12 carteiras de ativos digitais vinculadas à plataforma BitronExchange, operada pela BCX Tecnologia, em desdobramento de uma investigação sobre suposta fraude financeira com criptoativos. A decisão, assinada em 1º de outubro, atende a pedido de uma empresa sediada em Miami, nos Estados Unidos, que afirma ter sofrido prejuízo superior a US$ 1 milhão.
O caso é apurado pelo 14º Distrito Policial de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, a partir de Boletim de Ocorrência registrado em fevereiro de 2025. A empresa norte-americana relata invasão de dispositivo eletrônico e desvio de recursos mantidos em carteira na plataforma.
Na decisão, o juiz Henrique Ramos Sorgi Macedo, da Vara das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores do Fórum Criminal da Barra Funda, acolheu o pedido de bloqueio das carteiras digitais. A medida alcança também 11 endereços intermediários e uma carteira vinculada ao protocolo Chainflip, o que permite reconstruir parte do trajeto dos ativos.
Segundo o documento a que o Metrópoles teve acesso, os valores foram pulverizados entre diversos endereços ao longo de 5 e 6 de maio, em múltiplas operações. A Justiça reconheceu a dispersão dos recursos e ampliou a ordem de sequestro para novos endereços identificados.
A conversão do montante bloqueado pode alcançar cerca de R$ 6 milhões na cotação atual, conforme estimativa baseada no prejuízo relatado pela empresa. A decisão judicial não representa condenação e a apuração segue em fase investigatória.
O advogado Eduardo Maurício, que atua no caso, afirmou que o rastreamento das movimentações permitiu localizar as carteiras de destino. «Monitoramos a pulverização dos ativos e conseguimos identificar e bloquear todas as wallets que receberam os valores. O rastreamento permitiu acompanhar o caminho percorrido pelos criptoativos mesmo depois da sua distribuição entre diferentes carteiras», declarou.
De acordo com o defensor, as transações ocorreram em curto intervalo de tempo, o que teria facilitado a identificação do percurso dos ativos. Técnicas de análise de blockchain foram empregadas para tentar recuperar os recursos digitais.
A extensão dos bloqueios pode atingir gestores da plataforma ou pessoas com envolvimento no caso, conforme consta na decisão. A investigação policial prossegue com diligências para esclarecer a origem e o destino dos valores.
Procurada, a BitronExchange não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/justica-bloqueia-plataforma-fraude

