O ex-prefeito de Embu das Artes, Ney Santos (Republicanos), foi eleito deputado federal por São Paulo no domingo (4/10) com 118.566 votos. No entanto, a posse na Câmara dos Deputados pode ser barrada por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ainda precisa julgar um recurso do Ministério Público Eleitoral (MPE).
O MPE contesta o registro da candidatura com base em jurisprudência que permite a rejeição de candidaturas de pessoas supostamente ligadas a facções criminosas, mesmo sem condenação penal definitiva. O caso de Ney Santos se enquadra nesse entendimento, segundo a acusação.
Antes da eleição, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) havia autorizado a candidatura por 3 votos a 2, em 15 de setembro. A relatora, juíza Danyelle Galvão, argumentou que a inelegibilidade decorrente de condenação por abuso de poder econômico expirou em 2024 e que a acusação por comando de organização criminosa ainda está em fase de instrução.
No TSE, o recurso foi protocolado em 23 de setembro de 2026 e aguarda análise do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques. Se o tribunal der provimento ao pedido do MPE, o registro será indeferido retroativamente, o que provocaria a perda do mandato obtido nas urnas.
Claudinei Alves dos Santos, conhecido como Ney Santos, é réu por comando de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ele também cumpriu pena por abuso de poder econômico e foi condenado em primeira instância por porte de arma de fogo com numeração raspada. Anteriormente, foi condenado por formação de quadrilha e ficou dois anos preso por roubo a banco.
A promotoria sustenta que, após a saída do sistema prisional, órgãos policiais e o Ministério Público continuaram a receber informações sobre o suposto envolvimento de Claudinei com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e que sua fortuna seria proveniente do tráfico de drogas. A defesa nega as acusações e o caso segue em tramitação na Justiça Eleitoral.
Apesar da inelegibilidade até 2024, Ney Santos manteve influência política na Grande São Paulo. Em 2024, ajudou a eleger o prefeito de Embu das Artes, Hugo Prado (Republicanos), com 88 mil votos. Sua irmã, Ely Santos (Republicanos), assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2024 e, neste ano, conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Após a divulgação do resultado, Ney Santos comemorou nas redes sociais. «Deus é especialista em milagres e cumpre o que promete», publicou o candidato. A situação jurídica dele, porém, permanece indefinida até o julgamento final pelo TSE.
No TRE-SP, além da relatora, os juízes Regis de Castillo e Maria Cláudia Bedotti votaram pela autorização da candidatura. Os desembargadores Mairan Maia Júnior e Roberto Maia votaram contra, e a magistrada Fernanda Massad declarou suspeição. A decisão final caberá ao TSE, que pode confirmar ou reverter o entendimento do tribunal regional.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/ex-prefeito-suspeito-de-elo-com-pcc-pode-ter-vaga-na-camara-vetada-pelo-tse

