O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) entregou uma carteira profissional simbólica aos pais do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, morto com um tiro à queima-roupa por um policial militar dentro de um hotel na Vila Mariana, zona sul da capital paulista, em novembro de 2024. A homenagem ocorreu durante cerimônia de entrega de carteiras a egressos de Medicina.
O documento foi recebido pelos médicos Silvia Monica Cardenas Prado e Julio Cesar Acosta Navarro, pais do estudante. A carteira concedida pelo Cremesp tem caráter simbólico e não possui validade jurídica. O presidente da entidade, Angelo Vattimo, fez a entrega durante o evento.
Em dezembro do ano passado, os pais de Marco Aurélio já haviam recebido o diploma póstumo do filho. O documento foi entregue durante a Colação de Grau da turma do estudante na Universidade Anhembi-Morumbi, em cerimônia que marcou a conclusão do curso de Medicina.
A morte do estudante ocorreu em 20 de novembro de 2024, quando ele entrou correndo em um hotel na Vila Mariana, sem camisa. Uma câmera de segurança registrou o momento. Ele foi atingido por um disparo feito por um policial militar que estava no local.
A 12ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou recentemente um recurso apresentado pela defesa dos policiais militares Bruno Carvalho do Prado e Guilherme Augusto Macedo, réus pela morte do estudante, e determinou que os dois sejam levados a júri popular. A decisão foi tomada após análise dos pedidos da defesa.
A defesa de Guilherme Augusto Macedo havia solicitado a absolvição sumária do policial por legítima defesa. Em relação a Bruno Carvalho, o advogado alegou que ele não teria participado do crime. Como alternativa, a defesa pediu que os réus não fossem submetidos ao Tribunal do Júri por suposta falta de provas e, em último caso, que fossem afastadas as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Os pedidos foram rejeitados pela Justiça, que entendeu haver provas e indícios suficientes de autoria no caso. A decisão mantém os dois policiais militares como réus e determina que sejam julgados pelo Tribunal do Júri.
Procurado pela reportagem, o advogado João Carlos Campanini, que representa os dois policiais militares, afirmou que a defesa respeita a decisão do Tribunal de Justiça, mas não concorda com ela. Segundo ele, os aspectos da legítima defesa estariam comprovados nos autos e os acusados não deveriam ser submetidos a júri popular.
O caso segue em tramitação na Justiça de São Paulo. A defesa dos réus pode apresentar novos recursos, mas, por enquanto, a determinação de levar os policiais a júri popular está mantida. A reportagem não localizou manifestação da defesa das vítimas sobre a homenagem do Cremesp.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/conselho-de-medicina-concede-carteira-postuma-a-estudante-morto-por-pms

