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São Paulo

Sâmia critica centralismo na campanha de Lula e defende foco em abstenções no segundo turno

Deputada federal reeleita com mais de 580 mil votos diz que primeiro turno teve pouca abertura para influenciadores e grupos de mulheres e sugere priorizar eleitores que não foram às urnas.

Imagem colorida mostra Sâmia BomfimFoto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES
Raphael Nogueira Felix
8 de outubro de 202619:21
Atualizado agora há pouco às 22:21

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSol) avaliou que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno foi marcada por um centralismo excessivo e por pouca abertura a setores que poderiam contribuir com a disputa eleitoral. Em entrevista, a parlamentar afirmou que influenciadores, artistas e grupos de mulheres não tiveram espaço suficiente para apresentar sugestões durante a primeira etapa da campanha.

«Houve um centralismo grande e pouca permeabilidade para sugestões e comentários de setores que são mais dinâmicos, que passam por influenciadores, artistas e pessoas que trazem novos pontos de vista. Inclusive mulheres, que são justamente o público com maior potencial de votos neste segundo turno», declarou Sâmia.

Reeleita com mais de 580 mil votos, a deputada obteve a quinta maior votação para a Câmara dos Deputados e foi uma das parlamentares convidadas a atuar na campanha de Lula no segundo turno. Segundo ela, parte das ações que considera estratégicas para a vitória do presidente já está sendo implementada nesta fase, com maior engajamento nas redes sociais.

A parlamentar defende que a esquerda concentre esforços em atrair os eleitores que se abstiveram no primeiro turno, em vez de tentar convencer quem já declarou voto em Flávio Bolsonaro (PL) ou em outros candidatos. «É muito mais eficiente disputar o voto daqueles que se abstiveram do que eventualmente tentar demover os eleitores do Bolsonaro ou mesmo dos outros candidatos, que já estão declarando voto neste segundo turno», afirmou.

Sâmia citou a cidade de São Paulo como um local estratégico para a busca desses eleitores. A capital paulista deu vitória a Lula no primeiro turno, e, na avaliação da deputada, o município tem um eleitorado significativo que não compareceu às urnas e pode ser mobilizado na etapa final da eleição.

A deputada também defendeu que temas como políticas para mães atípicas ganhem visibilidade durante a campanha e sejam efetivamente colocados em prática em um eventual novo mandato. Para ela, a publicização dessas pautas pode aproximar a campanha de grupos que se sentiram pouco representados na primeira fase.

Sobre o desempenho de seu partido, Sâmia reconheceu que a federação PSol-Rede perdeu cadeiras na Câmara dos Deputados, apesar da votação expressiva de nomes como ela própria e a deputada Erika Hilton. O resultado ocorreu porque outros candidatos da sigla não atingiram o percentual mínimo de votos exigido para a eleição.

O desempenho reacendeu críticas à sigla por não ter se federado ao Partido dos Trabalhadores (PT). Uma das principais opositoras da federação com o PT, Sâmia defendeu que a decisão foi acertada, mesmo com a perda de assentos. «Estão querendo creditar ao PSol um problema que, na verdade, aponta para uma solução. O PSol mostrou que tem mais capacidade de mobilização», argumentou.

A deputada participa agora da campanha de segundo turno como uma das parlamentares convidadas, em um momento de ajuste de estratégia e de ampliação do diálogo com setores que, segundo ela, ficaram de fora na primeira etapa.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/campanha-de-lula-no-1o-turno-deixou-setores-decisivos-de-fora-avalia-samia

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