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São Paulo

Érika Hilton critica eleição de Campopiano e alerta para risco aos direitos de pessoas trans

Deputada federal reeleita afirma que a nova deputada estadual não apresenta propostas e usa ataques como ferramenta política; declaração ocorre após postagem nas redes sociais.

campopiano erika hilton ataque transfóbicoFoto: Reprodução/Redes Sociais e @vinicius.foto
Raphael Nogueira Felix
9 de outubro de 202617:40
Atualizado agora há pouco às 20:40

A deputada federal reeleita Érika Hilton (Psol-SP) afirmou, em entrevista ao Metrópoles nesta sexta-feira (9/10), que a eleição de Eduarda Campopiano (PL-SP) para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) representa uma ameaça direta aos direitos das pessoas trans. Segundo a parlamentar, o resultado eleitoral pode dificultar o avanço de pautas ligadas à dignidade e à cidadania.

Érika Hilton declarou que a eleição de Campopiano simboliza uma tentativa de paralisar e fazer recuar as conquistas da população trans. Ela citou o aumento dos casos de feminicídio no estado de São Paulo e o crescimento da violência como temas que, na avaliação dela, não são enfrentados por figuras como a agora deputada estadual.

«Eu acho que sua eleição representa, sim, uma ameaça direta aos nossos direitos e uma tentativa de nos paralisar, de nos fazer recuar, de fazer com que nossas pautas por dignidade, por cidadania, não avancem», disse Érika Hilton.

A declaração foi feita após uma postagem de Eduarda Campopiano no X (antigo Twitter), na madrugada de segunda-feira (5/10), horas depois da divulgação do resultado das urnas. Na publicação, a deputada estadual se referiu a Érika Hilton, que é uma mulher trans, como um «homem biológico».

«Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs», escreveu Eduarda Campopiano na ocasião.

Eduarda Campopiano foi a mulher mais votada para a Alesp, além de ter obtido a maior votação entre todos os candidatos, homens e mulheres. Já Érika Hilton foi a mulher mais votada para a Câmara dos Deputados, ficando atrás apenas do vereador e agora deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL), aliado e padrinho político de Campopiano.

Durante a entrevista, Érika Hilton disse que não respondeu ao comentário da adversária política, o qual classificou como «baixeza». A deputada do Psol afirmou acreditar que Eduarda «não tem projeto, proposta, muitas vezes sequer tem cognição, só tem o ataque como instrumento de fazer política».

«Nós não discutimos esse tipo de 'baixeza' porque o nosso debate é nas ideias, porque mentes grandes e que têm preocupação com o país debatem projetos, debatem ideias. E tá tudo bem haver discordâncias de ideias», completou.

A parlamentar reeleita também defendeu que o debate político seja focado em propostas e projetos, e não em ataques pessoais. Segundo ela, a discussão de ideias é o caminho para enfrentar os problemas do estado e do país.

O caso gerou repercussão nas redes sociais e entre lideranças políticas. A reportagem procurou a assessoria de Eduarda Campopiano para comentar as declarações, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/ameaca-direta-aos-nossos-direitos-diz-hilton-sobre-eleicao-de-campopiano

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