A eleição de Sofia Favero (PSol) para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com 407 mil votos representa, segundo ela, um avanço na representação política da população trans e um sinal de que sua campanha conseguiu alcançar eleitores além dos círculos tradicionais da comunidade LGBTQIAPN+.
Doutora em psicologia e apadrinhada pela deputada federal Erika Hilton (PSol), Sofia se tornou a segunda mulher trans a ocupar uma cadeira no parlamento paulista. Em entrevista ao Metrópoles, ela afirmou que o resultado das urnas indica que sua mensagem ultrapassou os limites de nicho e dialogou com um eleitorado mais amplo.
A parlamentar eleita defende que o debate político no Brasil seja conduzido com propostas e não com ataques pessoais. A declaração foi dada após a futura colega de Alesp, Eduarda Campopiano (PL), fazer um comentário transfóbico contra Erika Hilton logo depois de ser eleita. «A gente precisa edificar o debate político no Brasil. Não é para isso que a gente se candidata, não é para isso que a gente se dispõe a representar a população», disse Sofia.
Para a deputada, a extrema-direita se aproveita da dificuldade que parte da população tem de lidar com o diferente para estimular votos contrários aos próprios interesses. Ela avalia que a resposta a esse cenário deve ser a ampliação do diálogo e a apresentação de projetos concretos.
Entre as prioridades do mandato, Sofia pretende atuar na segurança das mulheres, no apoio a estudantes universitários e no cuidado com a população LGBT. Um dos projetos que pretende apresentar é a criação de licença remunerada para mulheres vítimas de violência doméstica, além da redução de impostos em restaurantes universitários para baratear a alimentação dos estudantes.
Outra frente defendida por ela é o fortalecimento do acompanhamento multiprofissional para pessoas transgênero. A parlamentar afirma que sua trajetória acadêmica e sua atuação em movimentos sociais sustentam as propostas que levará ao Legislativo.
«Não sei como será esse percurso de trabalho, mas estarei disponível com toda a minha experiência acadêmica, minha experiência nos movimentos sociais, com o meu currículo. Eu não me fiz no Instagram, no TikTok. Todo o meu trabalho tem uma história», declarou. Ela também usou uma referência à série de televisão O Conto da Aia para dizer que São Paulo não deve retroceder em direitos.
Criada em uma família evangélica, Sofia afirma que o bolsonarismo adota um conteúdo extremista às diferenças que, segundo ela, contraria os ensinamentos do Evangelho. Para a deputada, o momento exige resistência e conexão com a população em todas as áreas.
A posse está prevista para o início da próxima legislatura, quando ela passará a dividir os corredores da Alesp com outros 93 deputados estaduais. A parlamentar diz que pretende manter o diálogo com movimentos sociais e universidades durante o mandato.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/edificar-debate-diz-deputada-trans-eleita-sp

