O alagamento que atingiu o Túnel São João Paulo II, mais conhecido como Túnel do Anhangabaú, no centro de São Paulo, nesta quarta-feira (14), trouxe à tona uma lembrança antiga para quem conhece a região. Há quase três décadas, o mesmo ponto ficou completamente submerso após fortes chuvas.
Em 1º de março de 1999, depois de dias de pancadas de chuva, a água chegou a bater no teto do túnel, que tem cerca de cinco metros de altura, conforme registros do Corpo de Bombeiros da época. Relatos de testemunhas indicam que o nível da água subiu em menos de cinco minutos, dificultando a reação de quem transitava pelo local.
Cerca de 160 veículos ficaram submersos naquela ocorrência, entre eles três ônibus, segundo informações históricas. Equipes de resgate realizaram buscas para verificar a existência de vítimas, mas não há comprovação oficial de mortes por afogamento no túnel naquele episódio.
O temporal de 1999 também provocou outros transtornos na capital paulista, incluindo ocorrências fatais em diferentes regiões. Registros apontam pelo menos uma vítima em um desabamento no Jardim Miriam, na zona sul da cidade.
A repetição do cenário nesta quarta-feira reacende o debate sobre a capacidade de drenagem da região central e a frequência com que pontos críticos voltam a apresentar problemas durante chuvas intensas. A semelhança entre os dois episódios, separados por quase três décadas, evidencia que o problema não é pontual.
Especialistas em infraestrutura urbana costumam apontar que a impermeabilização do solo, o acúmulo de resíduos nas galerias e a intensificação de eventos climáticos extremos contribuem para alagamentos recorrentes em áreas como o Anhangabaú.
A prefeitura de São Paulo informou, em outras ocasiões, que mantém equipes de manutenção e monitoramento nos pontos de maior risco, mas a recorrência de episódios como o desta semana segue sendo tema de cobrança por parte de moradores e comerciantes da região.
Não há, até o momento, confirmação oficial de vítimas no alagamento desta quarta-feira. As autoridades locais seguem acompanhando a situação e orientando a população a evitar a circulação por vias sujeitas a inundação durante temporais.
O Túnel do Anhangabaú é um dos principais corredores viários do centro da capital e sua interdição, mesmo que temporária, costuma provocar reflexos no trânsito de toda a região, afetando linhas de ônibus e o deslocamento de milhares de pessoas.
A comparação com 1999 serve como alerta para a necessidade de investimentos contínuos em drenagem urbana e planejamento de contingência, de modo a reduzir os impactos de chuvas severas sobre a mobilidade e a segurança da população paulistana.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/ha-quase-tres-decadas-tunel-do-anhangabau-viveu-dia-semelhante-apos-chuvas

