A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, identificada como Coligação «Brasil Pronto pra Mais», apresentou representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a divulgação de um vídeo manipulado que atribuía falsamente ao ato do presidenciável na Avenida Paulista, em São Paulo, uma «invocação de Satanás». O conteúdo foi publicado pelos deputados federais Zé Trovão e Paulo Bilynskyj, ambos do PL, e retirado do ar após determinação judicial.
Segundo a campanha, o vídeo foi compartilhado na segunda-feira (12/10), data em que se celebra o Dia de Nossa Senhora Aparecida. A escolha da data, afirma a coligação na ação, teria como propósito «inflamar o eleitorado religioso, deslegitimar a manifestação massiva do candidato e causar prejuízos irreparáveis à sua imagem na reta final do segundo turno».
Entidades de checagem confirmaram que as imagens utilizadas no vídeo pertencem à 4ª Marcha para Exu, realizada em 16 de agosto de 2026, e não ao evento político na Paulista. A campanha sustenta que a associação entre as imagens e o ato de Lula configura manipulação e pede que a Justiça Eleitoral determine a remoção imediata das publicações e de suas reproduções.
Na representação, o advogado da coligação, Michel Bertoni Soares, afirmou que a estratégia busca fraudar o debate democrático por meio do medo. «Não se trata apenas de uma mentira eleitoral, mas de uma manipulação grotesca que utiliza a fé e o preconceito religioso para enganar o eleitorado e tentar neutralizar a força das mobilizações populares promovidas pela campanha», declarou.
A coligação solicita medida liminar em prazo de três horas para a remoção e indisponibilização das publicações, além da notificação dos usuários das plataformas sobre a falsidade do conteúdo. O pedido inclui ainda a aplicação de multa aos envolvidos no patamar máximo previsto na legislação eleitoral.
Procurado pela reportagem, Zé Trovão afirmou que retirou o vídeo de suas redes sociais após a ordem judicial e justificou que recebeu as imagens, junto com «várias pessoas», como se fossem atuais. «E daí nós postamos ali e tal, aquele negócio de invocando o Satanás e tudo mais. Fizemos a crítica, como cristão que somos. E parece que foi essa a decisão. Mas está tudo tranquilo», disse o deputado.
O parlamentar também declarou que o vídeo não seria falso e que Lula seria «a cara, o espelho do próprio Satanás». A reportagem não localizou manifestação de Paulo Bilynskyj até a publicação desta matéria.
A ação tramita no TSE e deve ser analisada nos próximos dias, em meio ao período de segundo turno. A campanha de Lula já havia acionado a Justiça Eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) e aliados por publicações semelhantes sobre o ato na Paulista.
O caso reacende o debate sobre o uso de conteúdos religiosos em campanhas eleitorais e sobre a responsabilidade de parlamentares na disseminação de informações verificadas como falsas. A legislação eleitoral prevê punições para a divulgação de conteúdo sabidamente inverídico, incluindo multas e remoção de publicações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/deputados-fake-satanas-lula

