A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu autorização para que uma vacina contra a malária vivax, desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em conjunto com o Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a indústria farmacêutica Cristália, avance para testes em seres humanos. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União por meio da resolução nº 3.956, do dia 7 de outubro.
A malária vivax é a forma mais prevalente da doença no Brasil e, até o momento, não há nenhuma vacina disponível no mundo contra esse tipo específico do parasita. O imunizante em desenvolvimento representa, portanto, uma possível inovação no enfrentamento da enfermidade, que concentra mais de 95% dos casos brasileiros na região amazônica.
Com a aprovação, a formulação entra na fase 1 de estudos clínicos, etapa que tem como objetivo avaliar a segurança da vacina, possíveis reações adversas à aplicação e a capacidade de induzir a produção de anticorpos — ou seja, a resposta imunológica do organismo. O protocolo prevê a participação de 48 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, que não tenham tido contato prévio com a malária.
A seleção dos participantes deve começar em novembro deste ano. Os voluntários serão divididos em grupos que receberão a vacina ou um placebo, em um esquema de três aplicações, com intervalo de 28 dias entre cada dose. Após a imunização, os participantes serão acompanhados ao longo de um ano para monitoramento contínuo.
Caso os resultados da fase 1 indiquem segurança e boa resposta imunológica, a pesquisa seguirá para as etapas 2 e 3, que envolvem um número maior de voluntários. A previsão é de que cerca de 300 pessoas participem dessas fases no Brasil, com foco principal na região amazônica, e que, posteriormente, o estudo seja ampliado para outros países.
Somente após a conclusão de todas essas etapas, que ainda não têm prazo definido, será possível solicitar o registro da vacina à Anvisa para produção em larga escala e comercialização. Atualmente, o Brasil registrou 118.037 casos de malária em 2025, uma redução de 15% em relação ao ano anterior, segundo dados do Ministério da Saúde.
O enfrentamento da doença na região amazônica enfrenta desafios como o acesso limitado ao diagnóstico, ao tratamento e às ações de prevenção. De acordo com o governo federal, o Brasil tem a meta de interromper a transmissão local da malária até 2035.
A parceria entre instituições públicas de pesquisa e a iniciativa privada tem sido apontada como um caminho para acelerar o desenvolvimento de imunizantes e tratamentos para doenças negligenciadas, que afetam principalmente populações em situação de vulnerabilidade social.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/vacina-da-usp-contra-a-malaria-recebe-aval-para-ser-testada-em-humanos

