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São Paulo

Três mortes em doze dias: PMs alegam surto psicótico em ações na capital paulista

Casos na zona norte e sul de São Paulo envolvem pessoas em suposto surto; corporação investiga as ocorrências e um policial foi preso em flagrante.

Pessoas mortas PMFoto: Reprodução/Imagens cedidas ao Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
15 de outubro de 202621:03
Atualizado agora há pouco às 00:03

A cidade de São Paulo registrou, em um intervalo de doze dias, três mortes decorrentes de intervenções de policiais militares. Em todas as ocorrências, os agentes alegaram que as vítimas estariam em surto psicótico. Os casos estão sob apuração da própria corporação e de órgãos de investigação.

O episódio mais recente aconteceu na quinta-feira (15), no Parque São Domingos, região de Pirituba, zona norte da capital. Uma mulher ainda não identificada foi baleada após supostamente avançar na direção de três policiais militares. Imagens cedidas à imprensa mostram a vítima caminhando em direção aos agentes com uma faca na mão. Ao se aproximar, ela foi atingida por um disparo e não resistiu.

O policial responsável pelo disparo foi preso em flagrante e encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que conduz a investigação. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou, em nota, que não tolera desvios de conduta e confirmou a prisão do agente.

Segundo a pasta, um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado e terá acompanhamento da Corregedoria da PM. O local foi preservado até a chegada das equipes do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal. A arma do policial foi apreendida para perícia.

Outro caso ocorreu no sábado (10), em Moema, zona sul de São Paulo. Gustavo Munis de Santana foi morto após as autoridades serem acionadas para atender um suposto chamado de emergência. A ação resultou em 27 disparos contra o jovem, segundo relatos divulgados na imprensa. O episódio gerou críticas de familiares e declarações públicas de autoridades sobre a conduta policial.

Já no dia 3 de outubro, na Vila Dionísia, também na zona norte, Antonio Nunes Batista, de 40 anos, morreu após ser baleado. Ele estaria em estado de surto, de acordo com a versão apresentada pelos policiais envolvidos. Os três casos têm em comum a justificativa de crise psíquica por parte das vítimas no momento da abordagem.

A sequência de mortes acendeu o debate sobre o atendimento a pessoas em sofrimento mental e sobre os protocolos adotados pela Polícia Militar em ocorrências dessa natureza. Especialistas em segurança pública e direitos humanos defendem a necessidade de capacitação específica para lidar com crises psiquiátricas, evitando desfechos fatais.

As investigações buscam esclarecer as circunstâncias de cada abordagem, incluindo a proporcionalidade do uso da força. A Corregedoria da PM acompanha os procedimentos internos, enquanto o DHPP apura as mortes. Não há, até o momento, conclusão sobre eventuais responsabilidades nos casos anteriores.

A SSP reiterou que desvios de conduta são apurados com rigor e que a corporação mantém canais para receber denúncias. A pasta não informou prazos para a conclusão dos inquéritos. Familiares das vítimas cobram respostas e maior transparência nas apurações.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pms-mataram-tres-pessoas-que-estariam-em-surto-nos-ultimos-doze-dias-em-sp

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