O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, convocou uma reunião na tarde desta sexta-feira (16/10) na sede da pasta para tratar das abordagens recentes da Polícia Militar que resultaram em mortes na capital paulista. O encontro também deve debater a compra de seis mil armas de choque.
Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública, a reunião tem como objetivo discutir possíveis mudanças nos protocolos de abordagem da corporação. A convocação ocorre após três ocorrências nas últimas semanas que terminaram com pessoas mortas durante ações policiais.
Em um dos casos, Camila Pereira da Silva foi atingida por um tiro no peito na quinta-feira (15/10), no bairro Parque São Domingos, região de Pirituba, zona norte de São Paulo. De acordo com relatos iniciais, ela portava uma faca e avançou contra os policiais, sendo baleada uma única vez. O policial militar que efetuou o disparo foi preso em flagrante durante a apresentação da ocorrência.
Outro caso citado é o de Gustavo Munis de Santana, morto no dia 10 deste mês após ser atingido por 27 tiros em Moema, zona sul da capital. As autoridades haviam sido chamadas para atender um suposto chamado de emergência. Já Antonio Nunes Batista, de 40 anos, morreu no dia 3 de outubro, na Vila Dionísia, também na zona norte, após ser baleado em uma ocorrência em que estaria em estado de surto.
A reunião na sede da SSP deve abordar tanto os procedimentos operacionais quanto a aquisição de equipamentos menos letais, como as armas de choque. A compra de seis mil unidades já estava prevista e agora ganha novo contexto diante das críticas às abordagens recentes.
Procurada, a Secretaria de Segurança Pública informou que o encontro faz parte de uma revisão contínua dos protocolos e que medidas serão anunciadas após a conclusão das discussões. A pasta não detalhou prazos nem os participantes da reunião.
Especialistas em segurança pública defendem que a ampliação do uso de tecnologias não letais pode reduzir a letalidade em ocorrências com pessoas em crise. No entanto, ressaltam que a eficácia depende de treinamento adequado e de diretrizes claras sobre quando esses recursos devem ser empregados.
Os casos seguem sob investigação das autoridades competentes. A Corregedoria da Polícia Militar e a Polícia Civil apuram as circunstâncias de cada ocorrência para determinar eventuais responsabilidades.
A discussão sobre abordagens policiais e o uso da força tem ganhado espaço no debate público em São Paulo, especialmente após a divulgação de imagens de algumas das ações. O governo estadual não informou se haverá mudanças imediatas nas normas vigentes.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/secretario-chama-reuniao-sobre-abordagens-da-pm-e-compra-de-armas-de-choque

