Uma auditoria do Tribunal de Contas do Município (TCM) de São Paulo identificou indícios de fraude e de favorecimento em licitações da prefeitura com a empresa MM Quarter. O relatório analisou R$ 101,4 milhões repassados à agência entre 2022 e março de 2026.
O documento aponta que os portais públicos não permitem vincular diretamente os pagamentos aos contratos correspondentes, o que, segundo os técnicos, compromete a transparência dos gastos.
A auditoria também concluiu que a prefeitura extrapolou os limites de Atas de Registro de Preços (ARPs). No caso da São Paulo Turismo (SPTuris), o valor gasto com água mineral teria superado em mais de duas vezes o teto previsto na ata: mais de R$ 50 milhões frente ao limite de R$ 23,8 milhões.
O relatório ainda aponta indícios de conflito de interesses envolvendo a empresa e Rodolfo Marinho da Silva, que ocupava o cargo de secretário-adjunto de Turismo. Segundo a auditoria, a MM Quarter venceu pregões sem comprovar os requisitos de capacidade técnica exigidos nos editais.
Concorrentes teriam sido desclassificados por critérios rígidos, enquanto a empresa investigada foi habilitada mesmo com documentação considerada genérica, de acordo com o documento.
A análise do TCM foi instaurada após reportagens que revelaram irregularidades na prefeitura e resultaram nas demissões do então presidente da SPTuris, Gustavo Pires, e do secretário-adjunto Rodolfo Marinho.
As matérias mostraram que Marinho era sócio de Nathália Carolina da Silva Souza em uma empresa de assessoria legislativa. Ele detinha R$ 99 mil do capital, e ela, R$ 1 mil. A mulher deixou a sociedade depois de fundar a MM Quarter, adquirindo um CNPJ criado anos antes e, por isso, apto a contratar com o poder público.
Após a divulgação das reportagens, o prefeito de São Paulo determinou que a Controladoria-Geral do Município (CGM) investigasse o caso. O órgão encontrou uma procuração de 2023 assinada por Nathália que dava plenos poderes a Marinho. Dez dias depois, já como secretário, ele lançou um edital no qual a Quarter foi contratada.
A empresa vencedora do edital era operada pelos irmãos Marcelo Correia Moraes e Victor Correia Moraes, que mantinham outros contratos com a prefeitura. Desde a fundação, a Quarter prestava serviços variados, mas ganhou espaço terceirizando mão de obra para o município, fornecendo desde “produtores” até “carregadores”.
Procurada, a prefeitura não se manifestou até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/prefeitura-de-sp-repassou-r-101-milhoes-a-empresa-ligada-a-ex-secretario

