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São Paulo

Laudo preliminar aponta asfixia não mecânica em brasileiro morto na Turquia, diz família

Exame realizado no Brasil indica que Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu por asfixia não mecânica; irmão relata que profissional do IML descartou enforcamento e sugeriu tortura.

Brasileiro morre na Turquia após ser detido em centro de migração. Imagem cedida ao Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
19 de outubro de 202612:05
Atualizado agora há pouco às 15:05

Um laudo preliminar realizado no Brasil apontou que a causa da morte do brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, foi asfixia não mecânica. A informação foi divulgada pelo irmão dele, Marcos, que teve acesso ao exame. O corpo chegou ao país no último sábado (17), cinco dias após a confirmação do óbito pelo Consulado Brasileiro em Istambul.

Segundo o relato de Marcos, um profissional do Instituto Médico Legal (IML) explicou que a ausência de marcas no pescoço descarta a hipótese de enforcamento. Esse tipo de asfixia costuma ocorrer quando a pessoa é sufocada ou colocada dentro de um saco, o que sugere um cenário de tortura, afirmou o irmão. O corpo foi liberado para os procedimentos funerários na manhã desta segunda-feira (19).

Lucas, que era empresário e programador, foi detido em um centro migratório na Turquia. De acordo com familiares, ele enviou a localização do Centro de Remoção de Harmandalı, em Esmirna, à mãe entre os dias 5 e 6 de outubro. A unidade fica a cerca de 500 quilômetros de Istambul. Depois desse contato, a família deixou de receber respostas às mensagens enviadas.

As autoridades turcas apresentaram versões diferentes sobre o caso. Inicialmente, o consulado brasileiro informou à família que um corpo havia sido encontrado em um hotel junto ao passaporte de Lucas. A família contestou, pois a última localização enviada por ele indicava o centro migratório. Diante do questionamento, a consulesa teria confirmado que a morte ocorreu na unidade de detenção.

Em seguida, conforme Marcos, as autoridades turcas alegaram que Lucas teria tirado a própria vida por enforcamento. A versão não se sustenta diante dos vestígios identificados pelo IML em São Paulo, disse o irmão. O laudo preliminar aponta asfixia não mecânica, sem as marcas típicas de enforcamento.

«[O funcionário do IML] me explicou que, se fosse [asfixia] mecânica, ele teria a marca da fricção mecânica em toda a parte do pescoço. Até interna, dessa força que foi exercida para tirar a vida. E não foi o caso», relatou Marcos. «Então, ele foi torturado e morto lá», concluiu.

O Metrópoles teve acesso ao relato de Marcos, que contesta a versão oficial das autoridades turcas sobre o falecimento no centro de detenção. A reportagem procurou o Itamaraty e o consulado para obter posicionamento sobre as novas informações, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Jornais turcos de oposição ao governo de Recep Tayyip Erdoğan têm denunciado abusos contra imigrantes no Centro de Remoção de Harmandalı. Em 2021, o jornal Artı Gerçek noticiou a morte de um refugiado sírio de 21 anos em um incêndio no quinto andar da unidade. A publicação afirmou que o local acumula denúncias de maus-tratos.

A família de Lucas aguarda a conclusão do laudo definitivo para esclarecer as circunstâncias da morte. O caso reacende discussões sobre as condições de detenção de estrangeiros em centros migratórios turcos e a necessidade de acompanhamento consular adequado.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/causa-morte-brasileiro-turquia

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