Sete aldeias Guarani Mbya localizadas na Terra Indígena Jaraguá, na zona oeste de São Paulo, aguardam há pelo menos 15 anos o fornecimento regular e definitivo de água potável e energia elétrica. A informação foi divulgada pelo Ministério Público Federal (MPF), que acompanha a situação das comunidades.
Segundo lideranças locais, a ausência desses serviços obriga os moradores a recorrer a soluções improvisadas para atender necessidades básicas. «Quando tem alguma emergência, a gente precisa fazer algum improviso para poder ajudar a população aqui», afirmou Jefersom Xondaro, liderança do núcleo dois da aldeia Tekoa Itakupé, em entrevista ao portal Metrópoles.
A falta de iluminação pública, especialmente no período noturno, tem sido apontada como um fator de preocupação relacionado à segurança das comunidades. De acordo com relatos, a aproximação de pessoas de fora, em veículos e sem identificação, tem gerado apreensão entre os moradores.
Já a escassez de água potável leva os povos indígenas a utilizar nascentes da região. Essas fontes, no entanto, estariam cada vez mais pressionadas pela expansão de empreendimentos imobiliários e pela presença de invasores no entorno do território.
Para discutir o problema, a Procuradoria Regional da República da 3ª Região tem promovido reuniões conjuntas nas aldeias, com a participação da Sabesp e da Enel, concessionárias responsáveis pelo abastecimento de água e energia elétrica na área. Os encontros também contam com lideranças indígenas, gestores públicos e privados, além de pesquisadores das áreas de saúde, meio ambiente e saneamento.
No último dia 7 de outubro, o encontro ocorreu na casa de reza da aldeia Tekoa Itakupé. Na ocasião, as lideranças destacaram a urgência de solucionar o acesso irregular a água, energia e saneamento básico, situação que se arrasta por cerca de duas décadas e meia, segundo o MPF.
Durante a reunião, foram debatidas as etapas restantes para que a Enel e a Sabesp forneçam energia e água às aldeias, respectivamente. A proposta em discussão prevê sistemas híbridos de abastecimento, que combinam a rede das concessionárias com fontes alternativas, como energia solar, biodigestores e poços artesianos profundos.
As duas empresas se comprometeram a «manter aberta uma porta de diálogo para viabilizar a implementação dos serviços», de acordo com o que foi divulgado. A Enel informou que pretende concluir a rede de energia na aldeia Itakupé até o fim do ano, enquanto a Sabesp aguarda o aprofundamento de estudos técnicos para definir futuras intervenções.
De acordo com Jefersom Xondaro, a falta de saneamento básico e de energia elétrica é apenas parte das dificuldades enfrentadas pelas comunidades da Terra Indígena Jaraguá. A expectativa das lideranças é que as reuniões resultem em medidas concretas e prazos definidos para a regularização dos serviços.
Procurada, a reportagem original não detalhou se há previsão de conclusão das obras para as demais aldeias. O MPF segue acompanhando o caso e deve realizar novos encontros para monitorar o andamento das soluções acordadas.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/aldeias-jaragua-agua-luz-improviso

